{"id":24407,"date":"2020-01-03T18:29:18","date_gmt":"2020-01-03T20:29:18","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=24407"},"modified":"2020-01-03T18:29:18","modified_gmt":"2020-01-03T20:29:18","slug":"o-que-o-cochilo-pode-fazer-pela-sua-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=24407","title":{"rendered":"O que o cochilo pode fazer pela sua sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p><em>Novos estudos atestam que tirar uma soneca ap\u00f3s o almo\u00e7o previne infartos, turbina a mem\u00f3ria e melhora o racioc\u00ednio, entre outros benef\u00edcios<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>Sa\u00fade \u00e9 Vital<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em tempos de guerra ou paz, o primeiro-ministro brit\u00e2nico Winston Churchill (1874-1965) n\u00e3o abria m\u00e3o de tirar um cochilo, sempre por volta das 17 horas. Depois de uma hora e meia de soneca, ele tomava banho, jantava e continuava a trabalhar at\u00e9 a 1 da manh\u00e3. No dia seguinte, \u00e0s 7h30 em ponto, retomava a rotina. \u201cQuem adere ao h\u00e1bito ganha dois dias em vez de um\u201d, costumava dizer. No Brasil, quem incorporou o costume foi o soci\u00f3logo Fernando Henrique Cardoso. Quando era presidente da Rep\u00fablica, gostava de pegar um livro ou jornal e dar uma boa cochilada de 15 a 20 minutos em um sof\u00e1 qualquer do Pal\u00e1cio da Alvorada, em Bras\u00edlia. \u201cFaz um bem danado\u201d, relatou FHC em 1998.<\/p>\n<p>Parece conversa pra boi dormir, mas o fato \u00e9 que a ci\u00eancia assina embaixo. A mais nova pesquisa a confirmar o efeito ben\u00e9fico do cochilo vespertino vem do Hospital Universit\u00e1rio de Lausanne, na Su\u00ed\u00e7a, e foi publicada na revista m\u00e9dica Heart.<\/p>\n<p>A equipe da epidemiologista Nadine H\u00e4usler monitorou os h\u00e1bitos de sono e o prontu\u00e1rio de aproximadamente 3 400 volunt\u00e1rios com idade entre 35 e 75 anos. Passados cinco anos, ela concluiu que tirar uma pestana uma ou duas vezes por semana reduz em at\u00e9 48% o risco de eventos cardiovasculares, a exemplo de infartos e AVCs.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea dorme pouco ou mal \u00e0 noite, cochilos ocasionais s\u00e3o uma forma de compensa\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica que diminui o n\u00edvel de estresse\u201d, explica a estudiosa.<\/p>\n<p>Cochilar por alguns minutos, de prefer\u00eancia na parte da tarde, n\u00e3o faz bem s\u00f3 ao cora\u00e7\u00e3o. O c\u00e9rebro, principalmente o dos idosos, tamb\u00e9m fica feliz da vida. \u00c9 o que revela outro estudo, este realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e publicado no peri\u00f3dico Journal of the American Geriatrics Society.<\/p>\n<p>No trabalho, cerca de 2 900 chineses com mais de 65 anos tiveram que, entre outras tarefas, resolver equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, memorizar sequ\u00eancias de palavras e responder a perguntas do tipo \u201cEm que esta\u00e7\u00e3o do ano estamos?\u201d.<\/p>\n<p>Segundo a m\u00e9dica e coordenadora da investiga\u00e7\u00e3o, Junxin Li, os que cochilavam cerca de 30 minutos, at\u00e9 por volta das 16 horas, foram os que apresentaram melhores resultados.<\/p>\n<p>N\u00e3o faltam evid\u00eancias para legitimar as vantagens do relaxamento p\u00f3s-prandial \u2014 prandium, em latim, quer dizer almo\u00e7o. At\u00e9 a Nasa recomenda a soneca a pilotos e astronautas.<\/p>\n<p>Segundo um experimento da ag\u00eancia espacial americana, quem faz um repouso de uns 20 minutos depois da principal refei\u00e7\u00e3o do dia tem sua capacidade de racioc\u00ednio e mem\u00f3ria aumentada em 34% e sua habilidade para tomar uma decis\u00e3o acertada sobe 54%.<\/p>\n<p>Mas, c\u00e1 entre n\u00f3s, ser\u00e1 que d\u00e1 para descansar o esqueleto em t\u00e3o pouco tempo? A resposta \u00e9 sim! \u201cCochilos curtos, de 15 minutos, s\u00e3o suficientes para causar um \u2018reset\u2019 no corpo e no c\u00e9rebro\u201d, afirma a pediatra Lucila Prado, do Departamento Cient\u00edfico do Sono da Academia Brasileira de Neurologia.<\/p>\n<p><strong>Quanto tempo o cochilo deve durar<\/strong><\/p>\n<p>O sono nosso de cada dia, explicam os cientistas, tem quatro est\u00e1gios: 1, 2, 3 e REM \u2014 sigla para rapid eye movement, ou movimento r\u00e1pido dos olhos. Do est\u00e1gio mais superficial ao mais profundo, o ciclo total dura de uma hora e meia a duas e se repete quatro ou cinco vezes ao longo da noite.<\/p>\n<p>O ideal \u00e9 cochilar apenas 15 minutos, mas, se houver tempo, estique at\u00e9, no m\u00e1ximo, duas horas. Mais que isso, voc\u00ea pode acordar grogue, irritadi\u00e7o e mal-humorado. Ou pior: ter dificuldade para pegar no sono mais tarde.<\/p>\n<p>Por essas e outras, a neurologista Andrea Bacelar n\u00e3o recomenda a pr\u00e1tica a qualquer um. \u201cApenas a quem trabalha em turnos ou n\u00e3o dorme o suficiente \u00e0 noite\u201d, ressalva ela, que \u00e9 presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Sono.<\/p>\n<p><strong>A soneca perfeita<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>O lugar: deve ser silencioso e climatizado. Na falta de um local assim, que tal a sala de reuni\u00f5es vazia? Em \u00faltimo caso, at\u00e9 um pufe ou uma cadeira reclin\u00e1vel podem ajudar.<\/li>\n<li>A luminosidade: vale fechar cortinas ou persianas. Agora, se n\u00e3o for poss\u00edvel deixar o ambiente escolhido mais escurinho, recorra a uma m\u00e1scara de dormir.<\/li>\n<li>O barulho: protetores auriculares podem ser \u00fateis para barr\u00e1-lo. Outra sugest\u00e3o \u00e9 utilizar fones e ouvir m\u00fasica cl\u00e1ssica ou at\u00e9 um barulhinho de cachoeira.<\/li>\n<li>A dura\u00e7\u00e3o: bastam 20 minutinhos. Mas, se conseguir, capriche: de 90 minutos a duas horas. Mais que isso, voc\u00ea pode acordar grogue e irritado. Use o despertador.<\/li>\n<li>O per\u00edodo: o melhor \u00e9 cochilar logo ap\u00f3s o almo\u00e7o, de prefer\u00eancia entre as 13 e as 15 horas. Evite tirar sonecas no fim do dia para n\u00e3o atrapalhar o sono principal.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>A hora da sesta<\/strong><\/p>\n<p>Na Espanha, siesta. No Jap\u00e3o, inemuri. Nos Estados Unidos, power nap. S\u00e3o muitos os pa\u00edses que, por raz\u00f5es culturais ou n\u00e3o, adotam o h\u00e1bito de fazer um repouso p\u00f3s-almo\u00e7o. A nomenclatura varia de um lugar para outro.<\/p>\n<p>Na Espanha, o termo siesta se refere \u00e0 sexta hora do dia. Para os latinos, o dia come\u00e7ava \u00e0s 6 da manh\u00e3. Logo, a sexta hora era ao meio-dia. No Jap\u00e3o, ser pego cochilando no trabalho n\u00e3o significa demiss\u00e3o \u2014 em alguns casos, pode dar promo\u00e7\u00e3o! \u00c9 o chamado inemuri, ou \u201cdormindo em servi\u00e7o\u201d. Uma prova de que o funcion\u00e1rio veste a camisa da empresa.<\/p>\n<p>Para os americanos, soneca virou power nap, ou \u201ccochilo poderoso\u201d. O termo foi criado em 1999 pelo psic\u00f3logo James B. Maas, da Universidade Cornell.<\/p>\n<p>\u201cSeu corpo est\u00e1 com fome de sono, mas, durante o dia, voc\u00ea n\u00e3o pode fazer uma refei\u00e7\u00e3o completa? A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 servir um lanche muito saboroso chamado soneca\u201d, compara o autor de Power Sleep (clique para comprar), Sleep for Success e Sleep to Win, entre outros livros.<\/p>\n<p>No Brasil, a moda n\u00e3o pegou. \u201cN\u00e3o sai barato criar um cochil\u00f3dromo em uma empresa. Demanda investimento. Al\u00e9m disso, para muitos empres\u00e1rios, o h\u00e1bito \u00e9 sin\u00f4nimo de pregui\u00e7a. \u00c9 preciso vencer esse preconceito\u201d, avalia Paulo Sardinha, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Recursos Humanos.<\/p>\n<p>Por enquanto, d\u00e1 para contar nos dedos as empresas que disponibilizam espa\u00e7os aconchegantes para os funcion\u00e1rios relaxarem um tempinho.<\/p>\n<p>\u201cMas os benef\u00edcios do cochilo para a sa\u00fade do trabalhador s\u00e3o incont\u00e1veis\u201d, afirma Rosylane Rocha, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Medicina do Trabalhador. \u201cMelhora o humor, estimula a criatividade e aumenta a produtividade\u201d, cita.<\/p>\n<p>Desde 2010, a Locaweb, empresa de hospedagem de sites, oferece pufes confort\u00e1veis em local arborizado. Em m\u00e9dia, 30 colaboradores usam o servi\u00e7o todo dia. \u201cFuncion\u00e1rios descansados produzem mais\u201d, crava Simony Fernanda, gerente de Gente &amp; Gest\u00e3o da companhia.<\/p>\n<p>Na farmac\u00eautica Novartis, o balan\u00e7o tamb\u00e9m \u00e9 positivo. A cabine do sono, inaugurada em fevereiro, faz parte do espa\u00e7o Energized, que inclui sala de medita\u00e7\u00e3o e cadeiras de massagem. Todos os meses, 160 funcion\u00e1rios desfrutam da novidade durante 15 a 20 minutos.<\/p>\n<p>\u201cContribui para um melhor aprendizado e uma execu\u00e7\u00e3o mais eficiente das tarefas\u201d, garante J\u00falia Fernandes, diretora de Pessoas e Organiza\u00e7\u00e3o do grupo.<\/p>\n<p>Se a empresa onde voc\u00ea trabalha n\u00e3o proporciona uma \u00e1rea apropriada, o jeito \u00e9 improvisar: procure um lugar sossegado para a soneca. Pode ser uma sala de reuni\u00f5es vazia ou o interior do carro \u2014 dentro do estacionamento, claro. O ideal \u00e9 que o ambiente seja escuro, climatizado e silencioso. Se n\u00e3o for, m\u00e1scaras de dormir e tamp\u00f5es de ouvido d\u00e3o uma for\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas aten\u00e7\u00e3o: sonol\u00eancia excessiva durante o dia pode ser sintoma de algum dist\u00farbio do sono. \u201cNo caso dos adultos, s\u00e3o indicadas de sete a nove horas de sono. Se o indiv\u00edduo dorme esse tempo e mesmo assim sente uma sonol\u00eancia que atrapalha suas atividades di\u00e1rias, ele deve procurar um especialista\u201d, aconselha a m\u00e9dica Luciana Palombini, do Instituto do Sono, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Um cochilo pode fazer maravilhas. Mas s\u00f3 quando voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 ref\u00e9m dele.<\/p>\n<p><strong>Cochilo pr\u00f3prio para menores<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 os 3 anos de idade, a soneca \u00e9 obrigat\u00f3ria na vida dos pequenos. Depois, torna-se opcional. \u201cHoje em dia, muitas crian\u00e7as seguem o ritmo dos pais e acabam sofrendo de priva\u00e7\u00e3o do sono\u201d, alerta a m\u00e9dica Simone Fagondes, da Sociedade Brasileira de Pediatria. O mesmo se aplica aos adolescentes.<\/p>\n<p>E, se o sono noturno deixa a desejar, o cochilo vespertino pode ser a solu\u00e7\u00e3o. Mas, a\u00ed, n\u00e3o pode passar de 20 minutos. \u201c\u00c9 como desligar o carro em um lugar frio. Para o motor pegar novamente, demora \u00e0 be\u00e7a\u201d, compara o neurocientista John Fontenelle Ara\u00fajo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p><strong>Ref\u00fagios modernos<\/strong><\/p>\n<p>Pelo menos cinco cidades j\u00e1 alugam cabines para quem quer tirar uma soneca no meio do dia: Rio, S\u00e3o Paulo, Campinas, Recife e Bras\u00edlia. Na Pausadamente, na capital fluminense, o cliente pode escolher de luz ambiente a trilha sonora.<\/p>\n<p>Na Cochilo, em S\u00e3o Paulo, s\u00e3o quatro op\u00e7\u00f5es de tempo \u2014 15, 30, 45 e 60 minutos \u2014 e os pre\u00e7os variam de 12 a 25 reais. Em 2012, quando foi inaugurada, eram quatro cabines. Hoje s\u00e3o 37. \u201cRecebemos de seguran\u00e7as e estagi\u00e1rios a executivos\u201d, conta Alicia Jankavski, uma das propriet\u00e1rias.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Siesta Box funciona nos aeroportos de Guararapes, no Recife, de Viracopos, em Campinas, e Juscelino Kubitschek, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Ilustra\u00e7\u00f5es: Leonardo Yorka\/SA\u00daDE \u00e9 Vital<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novos estudos atestam que tirar uma soneca ap\u00f3s o almo\u00e7o previne infartos, turbina a mem\u00f3ria e melhora o racioc\u00ednio, entre outros benef\u00edcios &nbsp; Por Sa\u00fade \u00e9<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":24408,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-24407","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/cochilo.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24407","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24407"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24407\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/24408"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24407"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24407"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24407"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}