{"id":24453,"date":"2020-01-10T15:53:31","date_gmt":"2020-01-10T17:53:31","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=24453"},"modified":"2020-01-10T15:53:31","modified_gmt":"2020-01-10T17:53:31","slug":"numero-de-gravidas-com-hiv-aumenta-quase-40-em-dez-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=24453","title":{"rendered":"N\u00famero de gr\u00e1vidas com HIV aumenta quase 40% em dez anos"},"content":{"rendered":"<p><em>O n\u00famero de gr\u00e1vidas com HIV no Brasil vem crescendo desde 2008, de acordo com os \u00faltimos dados do Boletim Epidemiol\u00f3gico de HIV\/Aids divulgados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2008, foram registradas 6,7 mil gestantes com HIV, o que representava 2,1 casos para cada 1 mil nascidos vivos. Em 2018, esse n\u00famero passou para 8,6 mil, o equivalente a 2,9 casos a cada 1 mil pessoas.<\/p>\n<p>Enquanto o n\u00famero de casos notificados de aids, que \u00e9 a s\u00edndrome causada por este v\u00edrus, cai entre a popula\u00e7\u00e3o em geral, desde 2014, em todo o Brasil, o n\u00famero de gestantes com HIV aumentou quase 37% nos \u00faltimos dez anos.<\/p>\n<p>De acordo com o diretor do Departamento de Doen\u00e7as de Condi\u00e7\u00f5es Cr\u00f4nicas e Infec\u00e7\u00f5es Sexualmente Transmiss\u00edveis, da Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Gerson Fernando Pereira, essa diferen\u00e7a se deve ao aumento das notifica\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m aos avan\u00e7os no tratamento da s\u00edndrome.<\/p>\n<p>\u201cA aids, no passado, tinha uma mortalidade alta. Hoje, a pessoa infectada tem a mesma sobrevida de uma pessoa n\u00e3o infectada, desde que tome o medicamento. Mulheres que tomam o medicamento podem ter crian\u00e7as por parto normal. Elas t\u00eam est\u00edmulo para engravidar.\u201d<\/p>\n<p>Hoje, em todo o pa\u00eds, todas as mulheres gr\u00e1vidas atendidas pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) devem, obrigatoriamente, fazer o teste de HIV. Os casos positivos devem ser notificados no Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan).<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7as no atendimento<\/strong><\/p>\n<p>Com a obrigatoriedade do teste, muitas mulheres s\u00f3 descobrem o HIV quando engravidam. Foi assim com Aninha*, em 1992. \u201cN\u00e3o havia quase nada para mulheres na \u00e9poca, n\u00e3o tinha uma pol\u00edtica espec\u00edfica para n\u00f3s. Muito sobre o HIV era voltado para gays, mulheres trans, etc. As mulheres que descobriam ficavam isoladas, poucas pessoas falavam que estavam passando pela mesma situa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Quando engravidou, na d\u00e9cada de 1990, Aninha passou por uma s\u00e9rie de dificuldades para ter o filho. \u201cFoi bem dif\u00edcil, porque tinha pouca informa\u00e7\u00e3o, eu n\u00e3o sabia se teria um beb\u00ea saud\u00e1vel.\u201d Ela contou que recebeu do m\u00e9dico que a acompanhava no pr\u00e9-natal, uma carta com a indica\u00e7\u00e3o de que o parto deveria ser feito por cesariana.<\/p>\n<p>\u201cPassei por algumas unidades hospitalares enquanto estava tendo contra\u00e7\u00f5es. Quando eu entregava a carta, as pessoas diziam que n\u00e3o estava ainda no momento de ter o beb\u00ea e me mandavam voltar para casa. Fui a quatro lugares e recebi a mesma resposta. Percebi o preconceito\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ela acabou tendo o filho de parto normal. Como tomava a medica\u00e7\u00e3ocontra a Aids e fazia o devido acompanhamento, o filho n\u00e3o foi infectado pelo v\u00edrus HIV.<\/p>\n<p>Hoje, mais de 20 ano depois, o cen\u00e1rio est\u00e1 diferente e, ainda que seja preciso melhorar, mais pessoas est\u00e3o fazendo o teste de HIV e mais pessoas est\u00e3o recebendo o tratamento.<\/p>\n<p>Nat\u00e1lia*, por exemplo, \u00e9 soropositiva e tem duas filhas, uma de 4 anos e outra de 2 anos. \u201cEu j\u00e1 sabia do diagn\u00f3stico e j\u00e1 fazia tudo direitinho. Quando tive minhas filhas, recebi leite, tudo pelo hospital\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ela brinca que tem mestrado e doutorado em partos. \u201cEu tive duas experi\u00eancias. A mais velha foi por parto normal. A mais nova foi por cesariana, porque a bolsa j\u00e1 havia estourado h\u00e1 algumas horas. Assim que entrei no centro cir\u00fargico, tive que fazer ces\u00e1rea, mas [dependendo apenas do HIV] poderia ter sido normal tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p><strong>Certifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A prova de que o pa\u00eds avan\u00e7ou no atendimento \u00e0s gestantes \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da chamada transmiss\u00e3o vertical, quando o HIV \u00e9 passado da m\u00e3e para o filho na gesta\u00e7\u00e3o, no parto ou durante a amamenta\u00e7\u00e3o. A taxa caiu de 3,6 casos a cada 100 mil habitantes, em 2008, para 1,9 mil casos, em 2018, o que corresponde a uma queda de 47,2%.<\/p>\n<p>Tr\u00eas munic\u00edpios brasileiros receberam a Certifica\u00e7\u00e3o de Elimina\u00e7\u00e3o da Transmiss\u00e3o Vertical de HIV. No Paran\u00e1, Curitiba e Umuarama receberam a certifica\u00e7\u00e3o em 2017 e 2019, respectivamente, e, mais recentemente, S\u00e3o Paulo. A capital paulista, com 12,1 milh\u00f5es de habitantes, \u00e9 a cidade com maior popula\u00e7\u00e3o no mundo a receber tal t\u00edtulo, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, o Hospital Universit\u00e1rio Gaffr\u00e9e e Guinle, vinculado \u00e0 Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), \u00e9 refer\u00eancia no atendimento a gestantes com HIV. \u201cDesde 2008 n\u00e3o nasce nenhum beb\u00ea com HIV aqui. A maternidade \u00e9 a melhor maternidade p\u00fablica do Rio de Janeiro\u201d, ressaltou o diretor do hospital, Fernando Ferry.<\/p>\n<p>Para Ferry, o aumento de notifica\u00e7\u00f5es entre gr\u00e1vidas deve-se principalmente \u00e0 obrigatoriedade do exame. \u201cMuita gente hoje vive com HIV e n\u00e3o sabe. Com tratamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais, a gera\u00e7\u00e3o mais nova n\u00e3o tem medo da aids.\u201d<\/p>\n<p>Ele defende, no entanto, que a s\u00edndrome merece aten\u00e7\u00e3o e que \u00e9 necess\u00e1rio educar a popula\u00e7\u00e3o. \u201cExiste um tabu de que \u00e9 errado, que \u00e9 feio, \u00e9 pecado e, por isso, n\u00e3o se discute sexualidade. Isso deveria ser ensinado nas escolas, de forma t\u00e9cnica por professores preparados e capacitados\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00f5es nacionais<\/strong><\/p>\n<p>Os dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mostram que h\u00e1 ainda grupos mais vulner\u00e1veis que outros \u00e0 s\u00edndrome. Em 2018, cerca de 56% dos casos de aids foram registrados entre pessoas negras e, cerca de 60%, entre aqueles com at\u00e9 o ensino m\u00e9dio completo.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil tem uma epidemia concentrada de aids\/HIV. O que quer dizer que 0,4% da popula\u00e7\u00e3o tem HIV\u201d, diz Pereira, que ressalta que as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis \u00e0 infec\u00e7\u00e3o s\u00e3o homens que fazem sexo com homens, mulheres trabalhadoras sexuais, pessoas transsexuais e usu\u00e1rios de drogas.<\/p>\n<p>De acordo com Pereira, a estimativa \u00e9 que 86% das pessoas infectadas estejam diagnosticadas e 78% estejam em tratamento. A meta \u00e9 elevar ambas propor\u00e7\u00f5es para 90%.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio trabalha tamb\u00e9m com distribui\u00e7\u00e3o gratuita e com campanhas para incentivar o uso de preservativos nas rela\u00e7\u00f5es sexuais, que s\u00e3o a principal via de transmiss\u00e3o do v\u00edrus HIV.<\/p>\n<p>A pasta pretende ainda zerar os casos de transmiss\u00e3o vertical e, para isso, em parceria com estados e munic\u00edpios, incentiva a forma\u00e7\u00e3o de pessoal para a realiza\u00e7\u00e3o adequada do pr\u00e9-natal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: Ana Nascimento\/MDS\/Portal Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de gr\u00e1vidas com HIV no Brasil vem crescendo desde 2008, de acordo com os \u00faltimos dados do Boletim Epidemiol\u00f3gico de HIV\/Aids divulgados pelo Minist\u00e9rio<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":24454,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-24453","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/gestante.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24453","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24453"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24453\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/24454"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24453"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24453"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24453"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}