{"id":24646,"date":"2020-01-31T14:14:46","date_gmt":"2020-01-31T16:14:46","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=24646"},"modified":"2020-01-31T14:14:46","modified_gmt":"2020-01-31T16:14:46","slug":"novo-tratamento-para-linfoma-funciona-como-um-cavalo-de-troia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=24646","title":{"rendered":"Novo tratamento para linfoma funciona como um \u201cCavalo de Troia\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>O rem\u00e9dio polatuzumabe vedotina, aprovado contra linfoma difuso de grandes c\u00e9lulas B, leva mol\u00e9culas de quimioterapia at\u00e9 o c\u00e2ncer \u2014 uma nova tend\u00eancia<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>Sa\u00fade \u00e9 Vital<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Recentemente aprovado no Brasil para o tratamento do linfoma difuso de grandes c\u00e9lulas B, o rem\u00e9dio polatuzumabe vedotina, da farmac\u00eautica Roche, representa uma nova tend\u00eancia de f\u00e1rmacos que funcionam como um \u201cCavalo de Troia\u201d. Em vez de aplicar quimioterapia no corpo todo, ele se conecta ao c\u00e2ncer e s\u00f3 ent\u00e3o libera esse agente t\u00f3xico, o que parece aumentar a efic\u00e1cia e reduzir os efeitos colaterais.<\/p>\n<p>O Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca) estima que 3 mil novos casos de linfoma difuso de grandes c\u00e9lulas B sejam diagnosticados por ano no nosso pa\u00eds. Em resumo, a doen\u00e7a integra o grupo dos Linfomas N\u00e3o Hodgkin, afetando c\u00e9lulas espec\u00edficas do sistema imunol\u00f3gico. E \u00e9 agressiva \u2014 sem tratamento, seus portadores vivem menos de um ano, em m\u00e9dia. Caro\u00e7os no pesco\u00e7o, nas axilas e nas virilhas s\u00e3o o principal sintoma.<\/p>\n<p>Atualmente, a primeira linha de tratamento envolve sess\u00f5es tradicionais de qu\u00edmio. De 60% a 70% dos casos s\u00e3o curados assim. Quando a estrat\u00e9gia falha, os m\u00e9dicos apostam no transplante aut\u00f3logo de medula \u00f3ssea. Ou seja, c\u00e9lulas-tronco dessa estrutura \u2014 que \u00e9 a nossa f\u00e1brica de sangue \u2014 s\u00e3o extra\u00eddas do pr\u00f3prio indiv\u00edduo. Ele ent\u00e3o recebe doses ainda mais pesadas de quimioter\u00e1picos. Ap\u00f3s o bombardeiro, a medula \u00e9 reinfundida na esperan\u00e7a de que volte a funcionar direito sem ser comprometida pelo c\u00e2ncer outra vez.<\/p>\n<p>Essa t\u00e1tica d\u00e1 certo em metade dos casos. \u201cMas muitas pessoas com esse tipo de linfoma n\u00e3o suportam uma estrat\u00e9gia t\u00e3o agressiva, at\u00e9 porque tendem a ser mais velhas e podem ter outras doen\u00e7as\u201d, explica o m\u00e9dico Jayr Schmidt Filho, chefe do Centro de Neoplasias Hematol\u00f3gicas do A.C.Camargo Cancer Center, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u00c9 para essa turma que a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) liberou o polatuzumabe vedotina. \u201cA expectativa \u00e9 positiva. N\u00e3o t\u00ednhamos alternativas satisfat\u00f3rias nesse cen\u00e1rio\u201d, afirma Schmidt Filho.<\/p>\n<p><strong>Como age o medicamento. E a tend\u00eancia dos Cavalos de Troia<\/strong><\/p>\n<p>O novo f\u00e1rmaco \u00e9 uma esp\u00e9cie de anticorpo que carrega mol\u00e9culas de quimioterapia e que tem a capacidade de encontrar e se ligar \u00e0 prote\u00edna CD79b. Esse alvo, por sua vez, est\u00e1 presente nas c\u00e9lulas B do sistema imunol\u00f3gico, que s\u00e3o afetadas por aquele tipo de linfoma.<\/p>\n<p>Uma vez que gruda no c\u00e2ncer, o rem\u00e9dio libera a qu\u00edmio em seu interior. Esse mecanismo de abrir os port\u00f5es da doen\u00e7a para ent\u00e3o come\u00e7ar um ataque foi comparado a um evento da mitol\u00f3gica Guerra de Troia (o conflito provavelmente n\u00e3o aconteceu, ao menos n\u00e3o da forma como foi narrado originalmente nos poemas de Homero).<\/p>\n<p>Reza a lenda que, sem conseguir atravessar os muros de Troia, os gregos ofereceram um gigante cavalo de madeira para anunciar uma suposta tr\u00e9gua. Os troianos ent\u00e3o trouxeram a oferenda para dentro de suas fortifica\u00e7\u00f5es \u2014 sem saber que ela escondia soldados em seu interior que destru\u00edram a cidade.<\/p>\n<p>Voltando para a oncologia, a classe de medicamentos que usa esse estratagema parecido com Cavalo de Troia tamb\u00e9m \u00e9 chamada pelos especialistas de \u201canticorpo-droga\u201d (mais sem gra\u00e7a, n\u00e3o?).<\/p>\n<p>No Brasil, h\u00e1 outro rem\u00e9dio aprovado que se vale da mesma l\u00f3gica. \u00c9 o brentuximabe vedotina, da Takeda, focado em outros tipos de linfoma. E espera-se que op\u00e7\u00f5es similares surjam nos pr\u00f3ximos anos. O enfortumabe vedotina para c\u00e2ncer de bexiga seria um deles. Estamos, portanto, falando de uma tend\u00eancia recente que promete dar suas contribui\u00e7\u00f5es no tratamento de tumores malignos.<\/p>\n<p><strong>Qual a efici\u00eancia do tratamento e quais as rea\u00e7\u00f5es adversas?<\/strong><\/p>\n<p>Antes de tudo, cabe destacar que o polatuzumabe vedotina sempre deve ser administrado junto com outras duas medica\u00e7\u00f5es: o rituximabe (tamb\u00e9m da Roche) e a bendamustina (da Janssen).<\/p>\n<p>No estudo que justificou sua indica\u00e7\u00e3o no Brasil, o trio fez o c\u00e2ncer desaparecer em 40% dos casos. Esse n\u00famero ca\u00eda para 17,5% quando apenas o rituximabe e a bendamustina eram aplicados.<\/p>\n<p>S\u00f3 temos que analisar esses dados com um pouco de cautela. Como existem poucos tratamentos para pessoas que n\u00e3o responderam \u00e0 quimioterapia tradicional contra o linfoma difuso de grandes c\u00e9lulas B, a Anvisa resolveu aprovar esse medicamento mesmo tendo em m\u00e3os uma pesquisa relativamente pequena, que avaliou 80 pacientes.<\/p>\n<p>\u201cProvas adicionais ainda ser\u00e3o submetidas \u00e0 Anvisa ap\u00f3s a concess\u00e3o do registro do medicamento. A revis\u00e3o desses novos dados [\u2026] poder\u00e1 implicar a altera\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es descritas na bula ou mesmo a altera\u00e7\u00e3o do status do registro do medicamento\u201d, diz o comunicado da ag\u00eancia.<\/p>\n<p>Ou seja, a real taxa de sucesso do polatuzumabe vedotina pode mudar. \u201cMas temos uma boa no\u00e7\u00e3o de que os pacientes tiveram benef\u00edcios com o medicamento\u201d, diz Schmidt Filho.<\/p>\n<p>Quanto aos efeitos colaterais, eles s\u00e3o mais brandos do que os da quimioterapia. Mas podem envolver perda de sensibilidade ou formigamento dos membros (neuropatia perif\u00e9rica), suscetibilidade a infec\u00e7\u00f5es e anemia. \u201cFelizmente, conseguimos manejar essas complica\u00e7\u00f5es\u201d, informa o m\u00e9dico do A.C.Camargo Cancer Center.<\/p>\n<p>Antes de chegar aos hospitais, o polatuzumabe vedotina passar\u00e1 por um processo de precifica\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara de Regula\u00e7\u00e3o do Mercado de Medicamentos (CMED).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Lucas Kazakevicius\/SA\u00daDE \u00e9 Vital<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rem\u00e9dio polatuzumabe vedotina, aprovado contra linfoma difuso de grandes c\u00e9lulas B, leva mol\u00e9culas de quimioterapia at\u00e9 o c\u00e2ncer \u2014 uma nova tend\u00eancia &nbsp; Por Sa\u00fade<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":24647,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-24646","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24646","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24646"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24646\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24646"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24646"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24646"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}