{"id":24770,"date":"2020-02-12T14:32:25","date_gmt":"2020-02-12T16:32:25","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=24770"},"modified":"2020-02-12T14:32:25","modified_gmt":"2020-02-12T16:32:25","slug":"remedios-tirados-direto-do-gelo-da-antartica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=24770","title":{"rendered":"Rem\u00e9dios tirados direto do gelo da Ant\u00e1rtica"},"content":{"rendered":"<p><em>Estudo brasileiro feito nesse continente identifica fungos que poderiam gerar medicamentos contra doen\u00e7as negligenciadas, como dengue, Chagas e mal\u00e1ria<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>Sa\u00fade \u00e9 Vital<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos principais estudos conduzidos na Esta\u00e7\u00e3o Ant\u00e1rtica Comandante Ferraz, a base brasileira instalada nesse continente e reinaugurada faz pouco tempo, envolve fungos. O professor Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), quer descobrir se alguns desses micro-organismos podem funcionar como esp\u00e9cies de f\u00e1bricas para a produ\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios que beneficiariam milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>\u201cBuscamos fungos capazes de gerar subst\u00e2ncias contra doen\u00e7as tropicais como leishmaniose, dengue, zika, chikungunya e mal\u00e1ria\u201d, explica. Rosa \u00e9 o coordenador do projeto MycoAntar, uma parceria entre a UFMG e o Instituto Ren\u00e9 Rachou, filial da Fiocruz no estado de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Ativa desde 2014, a iniciativa j\u00e1 identificou aproximadamente 12 mil esp\u00e9cies de fungos, representando a maior cole\u00e7\u00e3o desses agentes infecciosos do mundo.<\/p>\n<p><strong>Por que buscar esses rem\u00e9dios na Ant\u00e1rtica?<\/strong><\/p>\n<p>Com 14 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados (km\u00b2), o territ\u00f3rio ant\u00e1rtico possui a maior biodiversidade microbiana do mundo. O isolamento ao qual os micro-organismos est\u00e3o submetidos no continente gelado contribui para essa riqueza, que enche os olhos dos cientistas em busca de novas esp\u00e9cies com potencial farmacol\u00f3gico.<\/p>\n<p>\u201cNosso trabalho aqui \u00e9 um pouco mais lento. Temos que nos deslocar pelo continente e enfrentar condi\u00e7\u00f5es extremas. Por isso, o processo de coletar os fungos \u00e9 muito mais dif\u00edcil\u201d, conta Rosa.<\/p>\n<p>E o trabalho n\u00e3o para por a\u00ed: todas as amostras t\u00eam o material gen\u00e9tico analisado. Os compostos mais promissores ent\u00e3o s\u00e3o isolados. Em m\u00e9dia, de 10 a 20% dos fungos mostram-se capazes de produzir subst\u00e2ncias a serem exploradas contra doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Ao longo do projeto, foram identificados micro-organismos que produzem compostos com potencial para tratar doen\u00e7a de Chagas, leishmaniose, zika e febre amarela. Outra descoberta importante foi a de um extrato inibidor do v\u00edrus da dengue conhecido como meleagrina. Essa mol\u00e9cula j\u00e1 tinha sido encontrada em outros fungos marinhos, mas, com as novas fontes origin\u00e1rias da Ant\u00e1rtica, os pesquisadores esperam reduzir o alto pre\u00e7o do extrato (cada miligrama custa mil reais).<\/p>\n<p><strong>As doen\u00e7as tropicais negligenciadas<\/strong><\/p>\n<p>Chagas, leishmaniose, dengue e zika s\u00e3o alguns dos representantes da classe. Embora atinjam popula\u00e7\u00f5es por todo mundo \u2014 especialmente no hemisf\u00e9rio sul \u2014, as enfermidades negligenciadas ganharam esse apelido por afetarem principalmente popula\u00e7\u00f5es mais pobres e por n\u00e3o despertarem tanto interesse na produ\u00e7\u00e3o de medicamentos. Elas afligem cerca de 1 bilh\u00e3o de pessoas, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>Existem 17 patologias que pertencem ao grupo. O problema \u00e9 que o dinheiro destinado \u00e0 pesquisa e ao tratamento dessas enfermidades vem caindo nos \u00faltimos anos, de acordo com a pesquisa G-Finder. Somente entre 2016 e 2017, os investimentos diminu\u00edram 42%.<\/p>\n<p>\u201cO Estado deve investir, porque \u00e9 o \u00fanico interessado. A ind\u00fastria farmac\u00eautica n\u00e3o acha importante e n\u00e3o vai destinar recursos para esse tratamento\u201d, afirma o infectologista Jacyr Pasternak, do Hospital Israelita Albert Einstein, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A busca por novas subst\u00e2ncias pode ser fundamental para ajudar milh\u00f5es de vidas ao redor do globo. Os resultados positivos que v\u00eam sendo apresentados pelo projeto MycoAntar mostram que a Ant\u00e1rtica n\u00e3o \u00e9 composta apenas por gelo, mas por bilh\u00f5es de micro-organismos que talvez mudem os rumos das doen\u00e7as tropicais negligenciadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: Mauricio de Almeida\/SA\u00daDE \u00e9 Vital<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo brasileiro feito nesse continente identifica fungos que poderiam gerar medicamentos contra doen\u00e7as negligenciadas, como dengue, Chagas e mal\u00e1ria &nbsp; Por Sa\u00fade \u00e9 Vital &nbsp; Um<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":24771,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-24770","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24770","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24770"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24770\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24770"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24770"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24770"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}