{"id":25224,"date":"2020-03-24T13:32:24","date_gmt":"2020-03-24T16:32:24","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=25224"},"modified":"2020-03-24T13:32:24","modified_gmt":"2020-03-24T16:32:24","slug":"remedios-promissores-contra-o-coronavirus-sao-testados-pela-oms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=25224","title":{"rendered":"Rem\u00e9dios promissores contra o coronav\u00edrus s\u00e3o testados pela OMS"},"content":{"rendered":"<p><em>Entidade anuncia esfor\u00e7o global para avaliar combina\u00e7\u00f5es de tratamentos contra a Covid-19. Mas n\u00e3o \u00e9 pra correr atr\u00e1s deles, sob risco de afetar a sa\u00fade!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>Sa\u00fade \u00e9 Vital<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A hidroxicloroquina, rem\u00e9dio contra mal\u00e1ria e doen\u00e7as autoimunes, ganhou fama na \u00faltima semana por seu suposto potencial para combater o novo coronav\u00edrus (Sars-Cov-2). Isso inclusive fez muita gente, de maneira irrespons\u00e1vel, buscar o medicamento, o que terminou em desabastecimento nas farm\u00e1cias. Mas f\u00e1rmacos normalmente usados contra HIV, ebola, hepatite C e outras condi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m est\u00e3o sendo estudados como poss\u00edveis tratamentos da Covid-19.<\/p>\n<p>Testar princ\u00edpios ativos aprovados para outras doen\u00e7as \u00e9 uma maneira mais r\u00e1pida de encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para o novo v\u00edrus. Ora, eles j\u00e1 s\u00e3o produzidos e tiveram sua seguran\u00e7a comprovada em estudos cl\u00ednicos robustos antes de serem liberados pelas ag\u00eancias regulat\u00f3rias. A d\u00favida \u00e9 se teriam efic\u00e1cia diante do agente infeccioso por tr\u00e1s dessa pandemia atual e, se sim, qual a dosagem adequada para esse fim. No mundo, uma s\u00e9rie de estudos vem sendo feitos nesse sentido, com diferentes mol\u00e9culas.<\/p>\n<p>Por isso, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) anunciou uma pesquisa global chamada de SOLIDARITY (solidariedade, em ingl\u00eas). O objetivo \u00e9 testar, em milhares de pacientes, quatro terapias promissoras contra a Covid-19.<\/p>\n<p>Abaixo, explicamos mais sobre cada uma. Por\u00e9m, vale refor\u00e7ar que os benef\u00edcios precisam ser comprovados por experimentos maiores e bem controlados. At\u00e9 o momento, n\u00e3o existem medica\u00e7\u00f5es indicadas para o novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Ou seja, nada de buscar essas e outras op\u00e7\u00f5es por conta pr\u00f3pria. Esses rem\u00e9dios podem acarretar efeitos colaterais s\u00e9rios e j\u00e1 s\u00e3o utilizados por milhares de pessoas que precisam de verdade deles. No mais, n\u00e3o h\u00e1 qualquer evid\u00eancia de que atuem de maneira preventiva \u2014 ou seja, impedindo a infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Hidroxicloroquina e cloroquina<\/strong><\/p>\n<p>As duas mol\u00e9culas, usadas no tratamento da mal\u00e1ria e de doen\u00e7as reumatol\u00f3gicas, possuem vias de a\u00e7\u00e3o parecidas. \u201c\u00c9 poss\u00edvel que elas tenham alguma a\u00e7\u00e3o no sistema imunol\u00f3gico, modulando a resposta do corpo ao invasor\u201d, comenta Flavio Emery, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas (ABCF).<\/p>\n<p>Uma pesquisa francesa feita com 20 volunt\u00e1rios mostrou resultados positivos da hidroxocloroquina na Covid-19, o que, em conjunto com um discurso do presidente americano Donald Trump, levou a uma disparada de interesse pelo medicamento.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 muitos estudos sendo conduzidos com ela, mas os \u00fanicos dados publicados que temos at\u00e9 agora em seres humanos s\u00e3o os do trabalho franc\u00eas, que est\u00e1 sendo criticado pela comunidade cient\u00edfica\u201d, destaca Claudio Tadeu Daniel-Ribeiro, chefe do Laborat\u00f3rio de Pesquisa em Mal\u00e1ria do Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz.<\/p>\n<p>Entre os pontos negativos, destaca-se o fato de a investiga\u00e7\u00e3o ter sido conduzida com poucas pessoas e dispensar ritos b\u00e1sicos nos testes de um medicamento. Exemplos: n\u00e3o houve compara\u00e7\u00e3o com um medicamento placebo e os resultados n\u00e3o foram submetidos \u00e0 an\u00e1lise de outros cientistas antes da publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos principais perigos dessa pressa, ressaltam os especialistas, s\u00e3o os efeitos colaterais graves da droga, incluindo complica\u00e7\u00f5es cardiovasculares, risco de insufici\u00eancia renal e hep\u00e1tica e altera\u00e7\u00f5es na vis\u00e3o. \u201cTrata-se de um medicamento t\u00f3xico, com risco de rea\u00e7\u00f5es adversas\u201d, aponta Marco Stephan, da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>Ind\u00fastrias farmac\u00eauticas que trabalham com a hidroxicloroquina e a cloroquina j\u00e1 se anteciparam. A Novartis anunciou a doa\u00e7\u00e3o de 130 milh\u00f5es de doses no mundo todo. J\u00e1 a EMS apoiar\u00e1 um estudo (conduzido por diferentes institui\u00e7\u00f5es) com cerca de 500 pacientes brasileiros com Covid-19 em estado grave.<\/p>\n<p>No estudo franc\u00eas, a hidroxicloroquina foi mais eficaz quando combinada com a azitromicina, um antibi\u00f3tico normalmente receitado para infec\u00e7\u00f5es de garganta e pneumonias bacterianas. Essa possibilidade tamb\u00e9m ser\u00e1 testada no Brasil. Espera-se que os resultados estejam dispon\u00edveis em 60 dias \u2014 o que seria bem veloz para o ritmo cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Por enquanto, a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), que regula o setor no pa\u00eds, n\u00e3o recomenda o uso da cloroquina. Ela inclusive restringiu sua compra depois do rem\u00e9dio sumir de diversas farm\u00e1cias, como mostra VEJA.<\/p>\n<p><strong>Antirretrovirais<\/strong><\/p>\n<p>Entre os compostos que a OMS ir\u00e1 estudar est\u00e3o o ritonavir e lopinavir, que formam um dos coquet\u00e9is antirretrovirais usados para controlar o v\u00edrus da aids. Os primeiros resultados, contudo, n\u00e3o s\u00e3o l\u00e1 muito animadores.<\/p>\n<p>Pesquisadores de Wuhan (China), o epicentro da pandemia, administraram o coquetel em 199 indiv\u00edduos em estado grave. E n\u00e3o houve diferen\u00e7a entre o grupo que tomou o rem\u00e9dio e o que recebeu o tratamento padr\u00e3o. Os achados foram publicados no \u00faltimo dia 15 de mar\u00e7o, no The New England Journal of Medicine. Apesar disso, \u00e9 prov\u00e1vel que os antirretrovirais sigam sendo testados.<\/p>\n<p>\u201cO Sars-Cov-2 depende de certas enzimas para se multiplicar, e alguns medicamentos usados contra o HIV s\u00e3o inibidores enzim\u00e1ticos, o que poderia dificultar a replica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus no organismo\u201d, comenta Stephan.<\/p>\n<p><strong>Interferon beta<\/strong><\/p>\n<p>A OMS tamb\u00e9m avaliar\u00e1 os antirretrovirais descritos acima combinados com o interferon beta, atualmente inclu\u00eddo no tratamento da hepatite C. \u201cEle ajuda a regular a inflama\u00e7\u00e3o do corpo, e suspeita-se que uma das raz\u00f5es para o agravamento dos quadros de Covid-19 seja justamente a resposta inflamat\u00f3ria exagerada do organismo\u201d, explica Emery.<\/p>\n<p>O composto demonstrou efeito positivo em estudos contra outro subtipo de coronav\u00edrus, o Sars-Cov, que esteve por tr\u00e1s da epidemia de S\u00edndrome Respirat\u00f3ria do Oriente M\u00e9dio (Mers) em 2002. Mas os experimentos foram feitos em c\u00e9lulas isoladas no laborat\u00f3rio, de modo que ainda \u00e9 muito cedo para extrapolar os achados a seres humanos.<\/p>\n<p><strong>Remdesivir<\/strong><\/p>\n<p>Assim como os medicamentos usados para o HIV, o remdesivir \u00e9 um composto que atua tentando conter a replica\u00e7\u00e3o de determinados v\u00edrus. S\u00f3 que \u00e9 uma droga experimental, que ganha uma segunda chance de demonstrar sua efic\u00e1cia. A primeira ocorreu em 2019, durante o surto de ebola no Congo, sem efeitos positivos.<\/p>\n<p>Duas pessoas com quadros graves de Covid-19 receberam o remdesivir nos Estados Unidos e se recuperaram bem. Um deles foi o primeiro caso diagnosticado naquele pa\u00eds. Mas esses s\u00e3o n\u00fameros pra l\u00e1 de incipientes.<\/p>\n<p><strong>Rigor cient\u00edfico versus rapidez em tempos de crise<\/strong><\/p>\n<p>Est\u00e1 a\u00ed uma equa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de resolver. Geralmente, para que um rem\u00e9dio seja oficialmente indicado contra uma doen\u00e7a, mesmo que j\u00e1 tenha efic\u00e1cia comprovada para outros males, \u00e9 preciso cumprir etapas cient\u00edficas r\u00edgidas (e caras).<\/p>\n<p>Isso inclui estudos com n\u00famero significativo de pessoas, comparando o efeito da droga em quest\u00e3o com um placebo, sem que os volunt\u00e1rios saibam o que est\u00e3o recebendo. Entretanto, em um cen\u00e1rio t\u00e3o fora da curva como a pandemia de Covid-19, \u00e9 poss\u00edvel que haja uma flexibiliza\u00e7\u00e3o nesse ritual.<\/p>\n<p>Os especialistas lutam agora para definir o meio termo. \u201cConcordo que, em tempos de epidemia, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel demandar testes cl\u00ednicos t\u00e3o rigorosos. Mas fazer um trabalho com resultados pouco confi\u00e1veis tamb\u00e9m n\u00e3o serve de muita coisa\u201d, explica Nat\u00e1lia Pasternak, bi\u00f3loga da USP e presidente do Instituto Quest\u00e3o de Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Na pesquisa SOLIDARITY, da OMS, os profissionais de sa\u00fade envolvidos devem obter consentimento do volunt\u00e1rio e inserir seus dados em uma plataforma, que automaticamente direciona de maneira rand\u00f4mica uma das drogas citadas para ele, de acordo com a disponibilidade local.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, os m\u00e9dicos informar\u00e3o dados como alta, \u00f3bito, dura\u00e7\u00e3o da interna\u00e7\u00e3o e outras medidas terap\u00eauticas necess\u00e1rias em cada paciente. A ideia \u00e9 fazer tudo de maneira simples, por\u00e9m criteriosa, para n\u00e3o sobrecarregar mais os j\u00e1 sobrecarregados profissionais de sa\u00fade na linha de frente do combate \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de uma estrat\u00e9gia simplificada, mas ainda qualificada, para se obter o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel em um curto espa\u00e7o de tempo\u201d, destaca Emery.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: Dercilio\/SA\u00daDE \u00e9 Vital<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entidade anuncia esfor\u00e7o global para avaliar combina\u00e7\u00f5es de tratamentos contra a Covid-19. 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