{"id":26118,"date":"2020-05-11T16:42:21","date_gmt":"2020-05-11T19:42:21","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=26118"},"modified":"2020-05-11T16:42:21","modified_gmt":"2020-05-11T19:42:21","slug":"coronavirus-mais-da-metade-dos-brasileiros-esta-em-algum-grupo-de-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=26118","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus: mais da metade dos brasileiros est\u00e1 em algum grupo de risco"},"content":{"rendered":"<p><em>Hipertens\u00e3o, diabetes, obesidade, idade avan\u00e7ada&#8230; boa parte da popula\u00e7\u00e3o adulta tem ao menos um fator que aumenta o risco de complica\u00e7\u00f5es por coronav\u00edrus<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>Ag\u00eancia Fapesp<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o adulta brasileira \u2013 ou 86 milh\u00f5es de pessoas \u2013 apresenta ao menos um dos fatores que aumentam o risco de manifesta\u00e7\u00f5es graves da Covid-19, sugere estudo feito na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp). Se considerados apenas os adultos com menos de 65 anos, a propor\u00e7\u00e3o dos suscet\u00edveis a complica\u00e7\u00f5es caso venham a se infectar pelo novo coronav\u00edrus (SARS-CoV-2) ainda \u00e9 alta: 47%.<\/p>\n<p>Para chegar a essa conclus\u00e3o, os pesquisadores inclu\u00edram na an\u00e1lise tanto os fatores de risco apontados pelos estudos iniciais sobre a doen\u00e7a, em pa\u00edses asi\u00e1ticos, quanto os observados nas pesquisas mais recentes, conduzidas na Europa e nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cInicialmente, foram inclu\u00eddas no grupo de risco as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, portadores de doen\u00e7as cr\u00f4nicas [cardiovasculares, diabetes, hipertens\u00e3o e doen\u00e7a pulmonar obstrutiva cr\u00f4nica] e os pacientes com c\u00e2ncer diagnosticados h\u00e1 menos de cinco anos. Os \u00faltimos estudos, por\u00e9m, propuseram novos fatores: pacientes em di\u00e1lise ou outro tratamento para doen\u00e7a renal cr\u00f4nica, obesidade, asma moderada ou grave e tabagismo\u201d, explica Leandro Rezende, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp) e coordenador da pesquisa, cujos resultados ser\u00e3o divulgados em breve na Revista de Sa\u00fade P\u00fablica.<\/p>\n<p>Para estimar o tamanho do grupo de risco para Covid-19 no pa\u00eds, os cientistas da Unifesp usaram dados de 51 770 participantes da Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) em 2013. Trata-se de um inqu\u00e9rito de \u00e2mbito nacional que coletou, em mais de 80 mil domic\u00edlios, dados como peso, altura, circunfer\u00eancia da cintura e press\u00e3o arterial \u2013 al\u00e9m de amostras de sangue e urina para exames laboratoriais de uma parcela dos entrevistados.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, esse \u00e9 o levantamento mais recente que re\u00fane todas as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para nossa an\u00e1lise. Em 2019, teve in\u00edcio uma nova edi\u00e7\u00e3o da PNS, que ainda n\u00e3o foi conclu\u00edda. Vale ressaltar que a falta de investimento p\u00fablico em inqu\u00e9ritos abrangentes como esse dificulta a realiza\u00e7\u00e3o de an\u00e1lises precisas para subsidiar pol\u00edticas p\u00fablicas em uma situa\u00e7\u00e3o de crise, como a atual\u201d, diz Rezende.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, se forem comparados os dados da PNS com os de levantamentos mais recentes, como o Vigitel (Vigil\u00e2ncia de Fatores de Risco para doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade) de 2018, realizado nas capitais dos estados brasileiros e no Distrito Federal, nota-se que a preval\u00eancia de diabetes (de 6,9% em 2013 para 7,7% em 2018) e hipertens\u00e3o (de 21,5% entre os homens para 22,1%) variou pouco na popula\u00e7\u00e3o brasileira nos \u00faltimos anos, enquanto o n\u00famero de fumantes diminuiu de 14,4% para 12,1%. Por outro lado, houve um crescimento consider\u00e1vel na propor\u00e7\u00e3o de obesos (de 17,5% para 19,8%) e de pessoas com doen\u00e7as cr\u00f4nicas associadas ao envelhecimento.<\/p>\n<p>\u201cO tamanho do grupo de risco estimado pelo nosso estudo est\u00e1 possivelmente subestimado, o que torna ainda mais necess\u00e1ria a manuten\u00e7\u00e3o das medidas de distanciamento f\u00edsico. Pelo menos at\u00e9 que os estudos de soropreval\u00eancia [que estimam a parcela da popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 foi infectada e desenvolveu anticorpos contra o novo coronav\u00edrus] indiquem ser segura a flexibiliza\u00e7\u00e3o\u201d, avalia Rezende.<\/p>\n<p><strong>Desigualdade tamb\u00e9m quanto aos fatores de risco para o coronav\u00edrus<\/strong><\/p>\n<p>Entre os adultos que conclu\u00edram apenas a primeira etapa do ensino fundamental, que representam a parcela da popula\u00e7\u00e3o com menor n\u00edvel socioecon\u00f4mico, a presen\u00e7a de fatores de risco para complica\u00e7\u00f5es da Covid-19 foi duas vezes mais frequente do que entre os adultos com n\u00edvel superior completo.<\/p>\n<p>\u201cEmbora a desigualdade social no pa\u00eds seja um fato conhecido, nos assustamos com os n\u00fameros. Cerca de 80% dos adultos com baixa escolaridade podem ser inclu\u00eddos no grupo de risco, enquanto entre as pessoas com n\u00edvel superior essa propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de 46%\u201d, conta o Rezende. \u201cA preval\u00eancia de doen\u00e7as \u00e9 maior justamente na parcela da popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel, que mora em locais onde o distanciamento f\u00edsico \u00e9 dif\u00edcil, tem v\u00ednculos empregat\u00edcios mais fr\u00e1geis e menos acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade. \u00c9 preocupante.\u201d<\/p>\n<p>Ao analisar separadamente os dados estaduais, os profissionais observaram que a propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o no grupo de risco \u00e9 maior no Rio Grande do Sul (58,4%), em S\u00e3o Paulo (58,2%) e no Rio de Janeiro (55,8%). J\u00e1 os estados com menor propor\u00e7\u00e3o foram Amap\u00e1 (45,9%), Roraima (48,6%) e Amazonas (48,7%).<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 duas poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es para essa diferen\u00e7a. Uma tem rela\u00e7\u00e3o com a maior expectativa de vida nos estados do Sul e Sudeste, onde o n\u00edvel socioecon\u00f4mico da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 maior e, portanto, h\u00e1 mais idosos\u201d, avalia Rezende. \u201cA outra seria o menor acesso ao diagn\u00f3stico m\u00e9dico no Norte e Nordeste, que poderia ter enviesado os dados sobre a preval\u00eancia de doen\u00e7as como diabetes e hipertens\u00e3o, que, muitas vezes, s\u00e3o assintom\u00e1ticas no in\u00edcio\u201d, diz.<\/p>\n<p>De todo modo, Rezende considera que os indicadores estaduais podem ser \u00fateis para guiar os gestores p\u00fablicos em suas estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o e controle da epidemia. \u201cOs n\u00fameros atuais, por enquanto, encorajam a perman\u00eancia das medidas de distanciamento f\u00edsico em quase todo o pa\u00eds\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: Jay Freis\/SA\u00daDE \u00e9 Vital<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hipertens\u00e3o, diabetes, obesidade, idade avan\u00e7ada&#8230; boa parte da popula\u00e7\u00e3o adulta tem ao menos um fator que aumenta o risco de complica\u00e7\u00f5es por coronav\u00edrus &nbsp; Por Ag\u00eancia<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":26119,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-26118","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26118","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26118"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26118\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}