{"id":26251,"date":"2020-05-22T13:38:18","date_gmt":"2020-05-22T16:38:18","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=26251"},"modified":"2020-05-22T13:38:18","modified_gmt":"2020-05-22T16:38:18","slug":"estudo-sugere-que-plasma-convalescente-e-seguro-no-tratamento-da-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=26251","title":{"rendered":"Estudo sugere que plasma convalescente \u00e9 seguro no tratamento da Covid-19"},"content":{"rendered":"<p><em>Infundir o sangue de pessoas curadas em pacientes com coronav\u00edrus n\u00e3o trouxe efeitos colaterais graves na maioria dos casos, segundo relat\u00f3rio americano<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>Sa\u00fade \u00e9 Vital<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O tratamento com plasma convalescente consiste em aplicar a \u201cparte l\u00edquida do sangue\u201d de pessoas que j\u00e1 se curaram do novo coronav\u00edrus (Sars-CoV-2) em pacientes que ainda est\u00e3o lutando contra ele. Pois um relat\u00f3rio americano sugere que essa t\u00e9cnica \u00e9 segura \u2014 os testes de efic\u00e1cia ainda est\u00e3o em desenvolvimento.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica desse m\u00e9todo \u00e9 simples: quando algu\u00e9m entra em contato com um v\u00edrus, come\u00e7a a desenvolver anticorpos contra ele. Essas tropas de defesa ficam circulando na corrente sangu\u00ednea. Ao coletar o plasma sangu\u00edneo de um paciente recuperado (ou convalescente) e aplic\u00e1-lo em algu\u00e9m que est\u00e1 sofrendo com a Covid-19, os m\u00e9dicos encheriam o organismo doente com anticorpos para debelar a enfermidade.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que faltam evid\u00eancias cient\u00edficas sobre a seguran\u00e7a e a efic\u00e1cia desse m\u00e9todo na pandemia atual. Como falamos em uma mat\u00e9ria anterior, essa estrat\u00e9gia trouxe resultados possivelmente ben\u00e9ficos, mas conflitantes, em surtos de Ebola e Sars. Ela foi empregada at\u00e9 em 1918, durante a pandemia de gripe espanhola.<\/p>\n<p>Esse novo relat\u00f3rio foi criado a partir dos primeiros 5 mil volunt\u00e1rios hospitalizados que receberam plasma convalescente nos Estados Unidos, como parte de um protocolo de pesquisa e de acesso expandido. Todas essas pessoas manifestavam casos graves ou cr\u00edticos de Covid-19.<\/p>\n<p>Nas primeiras horas ap\u00f3s o tratamento, menos de 1% da turma exibiu rea\u00e7\u00f5es adversas graves, como alergias severas ou les\u00f5es nos pulm\u00f5es. A taxa de mortalidade ap\u00f3s sete dias foi de 14,9%. Esse n\u00famero, embora pare\u00e7a alto, est\u00e1 dentro da normalidade se voc\u00ea considerar que as pessoas avaliadas estavam com um quadro cr\u00edtico.<\/p>\n<p>\u201cEntre pacientes hospitalizados por coronav\u00edrus, a mortalidade \u00e9 de cerca de 15 a 20%, e maior ainda em indiv\u00edduos na UTI, chegando a 57%\u201d, diz o artigo. Dito de outra forma, parece que o plasma convalescente \u00e9 toler\u00e1vel para a maioria dos pacientes.<\/p>\n<p>\u201cEstamos investigando no momento quais pessoas s\u00e3o mais ou menos afetadas pelos efeitos colaterais, o que ajudaria a direcionar essa terapia. Mas ainda \u00e9 cedo para dizer\u201d, pondera o m\u00e9dico Michael Joyner, do Departamento de Anestesiologia e Medicina Perioperat\u00f3ria da Mayo Clinic, nos Estados Unidos. Esse expert esteve envolvido com a pesquisa e dirige o programa americano de tratamento com plasma convalescente.<\/p>\n<p>Por mais que os achados sejam encorajadores, esses pacientes precisam ser supervisionados por mais tempo \u2014 e mais volunt\u00e1rios devem ser inclu\u00eddos no relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 important\u00edssimo testar diretamente a efic\u00e1cia do plasma convalescente contra o coronav\u00edrus. A taxa de mortalidade de 14,9% entre os usu\u00e1rios dessa t\u00e9cnica, se comparada com a de outros grupos em est\u00e1gio cr\u00edtico da doen\u00e7a, at\u00e9 pode sinalizar um resultado positivo.<\/p>\n<p>Contudo, esse estudo n\u00e3o foi desenhado para medir a efici\u00eancia. \u201cEntre outras coisas, precisamos fazer compara\u00e7\u00f5es com grupos de controle\u201d, informa Joyner. Em outras palavras, os cientistas pretendem examinar, em um \u00fanico relat\u00f3rio, quem recebeu plasma convalescente e quem n\u00e3o recebeu, obedecendo uma s\u00e9rie de crit\u00e9rios cient\u00edficos.<\/p>\n<p><strong>Qual ser\u00e1 o papel desse tratamento contra o coronav\u00edrus?<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com Joyner, se os estudos subsequentes forem positivos, o plasma convalescente pode servir como uma t\u00e1tica para conter os estragos da Covid-19 enquanto n\u00e3o possu\u00edmos um rem\u00e9dio antiviral espec\u00edfico ou uma vacina. Seria uma arma para empregar no curto prazo, assim por dizer.<\/p>\n<p>\u201cE talvez a gente possa combinar essa t\u00e9cnica com outros tratamentos\u201d, sugere o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>H\u00e1, entretanto, uma dificuldade: n\u00e3o \u00e9 exatamente f\u00e1cil conseguir plasma convalescente para atender muita gente. \u00c9 necess\u00e1rio correr atr\u00e1s de pessoas curadas, verificar se elas est\u00e3o em condi\u00e7\u00e3o de fazer a doa\u00e7\u00e3o, desenvolver uma estrutura m\u00ednima de armazenamento e manipula\u00e7\u00e3o do material, treinar profissionais para lidar com eventuais rea\u00e7\u00f5es adversas e com o manejo da t\u00e9cnica\u2026<\/p>\n<p>Antes disso tudo, devemos torcer para que os pr\u00f3ximos resultados de seguran\u00e7a e, principalmente, efic\u00e1cia sejam animadores.<\/p>\n<p>Por fim, estudos com o plasma convalescente ajudar\u00e3o os cientistas a compreender quais anticorpos produzidos pelo nosso organismo s\u00e3o mais ou menos potentes diante do coronav\u00edrus. A partir da\u00ed, \u00e9 poss\u00edvel desenvolver medicamentos que simulem especificamente a a\u00e7\u00e3o dos anticorpos mais eficazes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: GI\/Getty Images<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Infundir o sangue de pessoas curadas em pacientes com coronav\u00edrus n\u00e3o trouxe efeitos colaterais graves na maioria dos casos, segundo relat\u00f3rio americano &nbsp; Por Sa\u00fade \u00e9<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":26252,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-26251","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26251","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26251"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26251\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}