{"id":27504,"date":"2020-06-15T13:37:16","date_gmt":"2020-06-15T16:37:16","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=27504"},"modified":"2020-06-15T13:37:16","modified_gmt":"2020-06-15T16:37:16","slug":"proporcao-da-populacao-com-anticorpos-do-novo-coronavirus-aumenta-53","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=27504","title":{"rendered":"Propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o com anticorpos do novo coronav\u00edrus aumenta 53%"},"content":{"rendered":"<p><em>Estudo \u00e9 coordenado pela Universidade Federal de Pelotas<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estudo coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) revelou um aumento de 53% em apenas duas semanas na propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o com anticorpos para o novo coronav\u00edrus nos principais centros urbanos brasileiros. O dado \u00e9 resultado da segunda fase da pesquisa \u201cEvolu\u00e7\u00e3o da Preval\u00eancia de Infec\u00e7\u00e3o por Covid-19 no Brasil: Estudo de Base Populacional (Epicovid19-BR)\u201d, financiada pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Os pesquisadores avaliam que esse aumento de 53% foi estatisticamente significativo e \u00e9 in\u00e9dito em estudos similares. Na Espanha, um estudo semelhante indicou aumento de apenas 4% entre as duas etapas da pesquisa. Para chegar a este resultado, a pesquisa considerou as 83 cidades em que puderam ser testadas e entrevistadas pelo menos 200 pessoas nas duas fases da pesquisa para estabelecer uma base de compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEsse aumento lan\u00e7a um alerta sobre a velocidade com que a doen\u00e7a continua se espalhando pelo Brasil. Somos, hoje, o pa\u00eds em que a Covid-19 se expande de forma mais acelerada em todo o mundo\u201d, disse o coordenador geral do estudo e reitor da UFPel, Pedro Hallal.<\/p>\n<p>A propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o com anticorpos nesses 83 munic\u00edpios aumentou de 1,7%, na primeira fase, para 2,6%, na segunda fase. A pesquisa testou se as pessoas tinham anticorpos para a doen\u00e7a, o que significa que j\u00e1 foram ou est\u00e3o infectadas pelo novo coronav\u00edrus, podendo se tratar de casos assintom\u00e1ticos. As estat\u00edsticas oficiais incluem pessoas que foram testadas, em geral, a partir da apresenta\u00e7\u00e3o de sintomas.<\/p>\n<p>No total, a segunda fase da Epicovid19 realizou 31.165 testes e entrevistas de 4 a 7 de junho. Os dados foram coletados em 133 munic\u00edpios do pa\u00eds. Em 120 dessas cidades, incluindo 26 das 27 capitais (com exce\u00e7\u00e3o de Curitiba), foi poss\u00edvel testar ao menos 200 pessoas, todas selecionadas por sorteio. A primeira fase foi realizada duas semanas antes, de 14 a 21 de maio, com 25.025 testes e entrevistas, sendo que em 90 cidades foi poss\u00edvel testar ao menos 200 participantes.<\/p>\n<p>\u201cEsse avan\u00e7o metodol\u00f3gico talvez seja o grande destaque da segunda fase da pesquisa. Com um maior n\u00famero de entrevistas realizadas e de cidades inclu\u00eddas nas an\u00e1lises, aumenta a nossa capacidade, enquanto epidemiologistas, de interpretar os dados sobre coronav\u00edrus no Brasil\u201d, disse Hallal.<\/p>\n<p><strong>Subnotifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A partir da propor\u00e7\u00e3o de infectados identificado pelo estudo, a estimativa \u00e9 que haja seis vezes mais casos de covid-19 do que o dado oficial registrado nesses munic\u00edpios, que representam grandes centros urbanos. O resultado anterior, na primeira fase, considerando 90 cidades testadas, a pesquisa estimou que havia sete vezes mais casos do novo coronav\u00edrus do que registraram as estat\u00edsticas oficiais. Segundo explicou Hallal, essa varia\u00e7\u00e3o n\u00e3o significativa, mas pode ser explicada por uma melhora na notifica\u00e7\u00e3o dos casos oficiais pelo aumento da testagem.<\/p>\n<p>No conjunto de 120 cidades com mais de 200 pessoas submetidas aos testes, a propor\u00e7\u00e3o de pessoas identificadas com anticorpos para covid-19 foi estimada em 2,8%. As 120 cidades correspondem a 32,7% da popula\u00e7\u00e3o nacional, totalizando 68,6 milh\u00f5es de pessoas. Com isso, chegou-se \u00e0 estimativa de 1,9 milh\u00e3o de pessoas infectadas.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera do in\u00edcio da pesquisa, em 3 de junho, essas 120 cidades somadas contabilizavam 296.305 casos confirmados e 19.124 mortes. Ou seja, para cada caso confirmado do novo coronav\u00edrus nessas cidades, existem 6 pessoas que j\u00e1 foram ou ainda est\u00e3o infectadas na popula\u00e7\u00e3o. O estudo concluiu que h\u00e1 uma grande disparidade entre o n\u00famero estimado pela pesquisa e a estat\u00edstica oficial de infectados.<\/p>\n<p>A Epicovid19 abrange um total de 133 cidades selecionadas, chamadas sentinelas. Elas s\u00e3o os maiores munic\u00edpios das subdivis\u00f5es demogr\u00e1ficas intermedi\u00e1rias do pa\u00eds, de acordo com crit\u00e9rios do Instituto Brasileiros de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Os pesquisadores alertam que esses resultados n\u00e3o devem ser extrapolados para todo o pa\u00eds, nem usados para estimar o n\u00famero absoluto de casos no Brasil, j\u00e1 que essas s\u00e3o cidades populosas, com circula\u00e7\u00e3o intensa de pessoas e que concentram servi\u00e7os de sa\u00fade. A din\u00e2mica da pandemia pode ser distinta se observadas cidades pequenas ou \u00e1reas rurais. Apesar dessa ressalva, os pesquisadores voltaram a afirmam que a contagem de pessoas com anticorpos no Brasil certamente j\u00e1 est\u00e1 na casa dos milh\u00f5es, e n\u00e3o mais dos milhares.<\/p>\n<p><strong>Regi\u00f5es do pa\u00eds<\/strong><\/p>\n<p>Houve grande diferen\u00e7a na propor\u00e7\u00e3o de infectados por regi\u00f5es do Brasil, assim como na primeira fase. As 15 cidades com maiores preval\u00eancias incluem 12 da Regi\u00e3o Norte e tr\u00eas do Nordeste (Imperatriz, Fortaleza e Macei\u00f3).<\/p>\n<p>Na Regi\u00e3o Sul, nenhuma cidade apresentou preval\u00eancia superior a 0,5%, e, na Regi\u00e3o Centro-Oeste, apenas tr\u00eas cidades superaram esta marca (Bras\u00edlia, Cuiab\u00e1 e Luzi\u00e2nia). Segundo os pesquisadores, esse resultado confirma que a Regi\u00e3o Norte tem o cen\u00e1rio epidemiol\u00f3gico mais preocupante do Brasil, o que tamb\u00e9m j\u00e1 tinha sido revelado na primeira fase do estudo.<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as entre as capitais do Brasil foram marcantes, ainda segundo os pesquisadores. Em Boa Vista (RR), a propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o que tem ou j\u00e1 teve coronav\u00edrus foi estimada em 25%, ou seja, um de cada quatro habitantes da cidade est\u00e1 ou j\u00e1 esteve infectado.<\/p>\n<p>Foi poss\u00edvel testar ao menos 200 pessoas em 26 das 27 capitais. Entre essas, seis apresentaram resultado superior a 10%: Boa Vista (RR), Bel\u00e9m (PA), Fortaleza (CE), Macap\u00e1 (AP), Manaus (AM) e Macei\u00f3 (AL). Das 10 capitais com percentuais mais altos da popula\u00e7\u00e3o com anticorpos, de 5,4% at\u00e9 25,4%, quatro s\u00e3o da Regi\u00e3o Norte (Boa Vista, Bel\u00e9m, Macap\u00e1 e Manaus), cinco s\u00e3o da Regi\u00e3o Nordeste (Fortaleza, Macei\u00f3, S\u00e3o Lu\u00eds, Jo\u00e3o Pessoa, Salvador) e uma da Regi\u00e3o Sudeste (Rio de Janeiro).<\/p>\n<p>Em algumas cidades, as diferen\u00e7as entre os resultados da primeira e da segunda fase foram acentuadas e o Rio de janeiro, a segunda cidade mais populosa do Brasil com 6,7 milh\u00f5es de habitantes, foi uma delas. L\u00e1, a propor\u00e7\u00e3o estimada de pessoas com anticorpos para o novo coronav\u00edrus aumentou de 2,2% para 7,5%, ou seja, 503 mil pessoas t\u00eam ou j\u00e1 tiveram o coronav\u00edrus. Em Macei\u00f3, o aumento foi de 1,3% para 12,2%. Em Fortaleza, o aumento foi de 8,7% para 15,6%.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Brasil solicitou posicionamento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade sobre os resultados do estudo, mas n\u00e3o obteve resposta at\u00e9 a conclus\u00e3o da reportagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: Reuters<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo \u00e9 coordenado pela Universidade Federal de Pelotas &nbsp; Por Ag\u00eancia Brasil &nbsp; Estudo coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel)<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":27505,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-27504","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27504","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27504"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27504\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27504"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27504"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27504"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}