{"id":28609,"date":"2020-08-24T11:39:34","date_gmt":"2020-08-24T14:39:34","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=28609"},"modified":"2020-08-24T11:39:34","modified_gmt":"2020-08-24T14:39:34","slug":"estudos-apontam-que-covid-19-pode-causar-sequelas-no-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=28609","title":{"rendered":"Estudos apontam que covid-19 pode causar sequelas no cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Um pequeno estudo feito na Alemanha e publicado na revista Jama Cardiology em julho mostra como o coronav\u00edrus afeta o cora\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>Jornal de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Inicialmente a covid-19 foi entendida como uma doen\u00e7a pulmonar. Logo ficou claro, por\u00e9m, que se trata de uma enfermidade sist\u00eamica, que ataca praticamente todos os \u00f3rg\u00e3os e fun\u00e7\u00f5es do corpo. Agora, dados mais recentes t\u00eam mostrado que os danos mais graves do novo coronav\u00edrus podem ser ao cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A miocardite (inflama\u00e7\u00e3o do m\u00fasculo card\u00edaco) associada \u00e0 covid-19 \u00e9 um problema que muitos m\u00e9dicos come\u00e7am a notar com mais frequ\u00eancia, mesmo em pacientes que n\u00e3o apresentaram um quadro grave e at\u00e9 entre assintom\u00e1ticos. A miocardite n\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necessariamente grave, mas, em alguns casos, pode levar \u00e0 insufici\u00eancia card\u00edaca.<\/p>\n<p>\u201cAs complica\u00e7\u00f5es cardiovasculares precisam ser vistas com aten\u00e7\u00e3o. O novo coronav\u00edrus pode afetar qualquer estrutura do cora\u00e7\u00e3o, causando inflama\u00e7\u00e3o e trombose nos vasos e tecidos\u201d, alerta Evandro Tinoco Mesquita, presidente do Departamento de Insufici\u00eancia Card\u00edaca da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).<\/p>\n<p>\u201cO v\u00edrus pode afetar o sistema cardiovascular com manifesta\u00e7\u00f5es diversas, como inj\u00faria mioc\u00e1rdica, insufici\u00eancia card\u00edaca, arritmia, miocardite e choque\u201d, enumera a cardiologista Glaucia Moraes, coordenadora da SBC e do programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio (UFRJ).<\/p>\n<p>Um pequeno estudo feito na Alemanha e publicado na revista Jama Cardiology em julho mostra como o coronav\u00edrus afeta o cora\u00e7\u00e3o. Os pesquisadores estudaram cem pessoas, com idade m\u00e9dia de 49 anos, que se recuperaram da covid. A maioria foi assintom\u00e1tica ou apresentou sintomas muito leves.<\/p>\n<p>Cerca de dois meses depois do diagn\u00f3stico, os cientistas submeteram os pacientes j\u00e1 totalmente curados a exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e fizeram descobertas alarmantes: cerca de 80% deles apresentavam anomalias card\u00edacas e 60% tinham miocardite.<\/p>\n<p>Outro estudo publicado tamb\u00e9m na Jama Cardiology apresentou n\u00famero preocupante. Aut\u00f3psias feitas em 39 pacientes que morreram de covid revelaram a presen\u00e7a do v\u00edrus no mioc\u00e1rdio em 60% dos casos.<\/p>\n<p>Embora os estudos sejam considerados pequenos e suas conclus\u00f5es n\u00e3o sejam ainda totalmente compreendidas, j\u00e1 est\u00e1 claro para os especialistas que \u00e9 comum um paciente jovem, que aparentemente superou a covid, apresentar algum problema card\u00edaco.<\/p>\n<p>Cientistas em diversas partes do mundo ainda tentam entender como o coronav\u00edrus causa a miocardite. N\u00e3o se sabe se \u00e9 por um dano causado diretamente pelo v\u00edrus ao cora\u00e7\u00e3o ou se decorre da violenta resposta imunol\u00f3gica do organismo causada pelo v\u00edrus.<\/p>\n<p><strong>Causa dos danos deve ser multifatorial<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEsse dano card\u00edaco \u00e9 provavelmente multifatorial\u201d, aponta Glaucia Moraes. \u201cPode ser resultado do desequil\u00edbrio entre a alta demanda de oxig\u00eanio e a baixa reserva card\u00edaca, a tempestade de citocinas, a inflama\u00e7\u00e3o sist\u00eamica e a trombog\u00eanese. E tamb\u00e9m pode ser decorrente da les\u00e3o direta do v\u00edrus no cora\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Alguns especialistas defendem a ideia de que parte do sucesso de medicamentos imunossupressores no tratamento da covid seria, justamente, por causa de seu efeito positivo na preven\u00e7\u00e3o de danos ao cora\u00e7\u00e3o. Alguns desses rem\u00e9dios s\u00e3o usados para tratar a miocardite.<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos lembram que a cloroquina e azitromicina \u2013 que n\u00e3o apresentam resultados positivos no tratamento, segundo pesquisas, mas v\u00eam sendo recomendados pelo presidente Jair Bolsonaro \u2013 t\u00eam como efeito colateral problemas card\u00edacos, como arritmias e taquicardias.<\/p>\n<p>\u201cO paciente da covid muitas vezes \u00e9 examinado de forma r\u00e1pida, h\u00e1 sempre um risco para o m\u00e9dico de deixar passar alguma coisa\u201d, afirma o cardiologista Marcelo Rivas, coordenador de emerg\u00eancias m\u00e9dicas da Universidade do Estado do Rio (Uerj).<\/p>\n<p>\u201cAcho que a mensagem mais importante \u00e9 que precisamos ter aten\u00e7\u00e3o ao sistema cardiovascular do paciente de covid, auscultar, fazer eletro, dosar enzimas. A abordagem deve ser mais completa do que se fosse apenas uma doen\u00e7a pulmonar.\u201d<\/p>\n<p><strong>Mortes em casa por doen\u00e7as card\u00edacas aumentam 31,8%<\/strong><\/p>\n<p>A covid-19 tamb\u00e9m pode ter um grave efeito indireto no cora\u00e7\u00e3o. Estudo da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) divulgado no m\u00eas passado revelou que, desde o in\u00edcio da pandemia, houve um aumento de 31,8% no n\u00famero de mortes dentro de casa por doen\u00e7as cardiovasculares.<\/p>\n<p>O levantamento mostra que ocorreram 23.342 mortes por doen\u00e7as card\u00edacas em domic\u00edlio em 2020, no per\u00edodo de 16 de mar\u00e7o at\u00e9 o final de junho de 2020. No ano passado, no mesmo per\u00edodo, foram 17.707.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia foi registrada tamb\u00e9m nos Estados Unidos. Dados do Centro de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as (CDC, na sigla em ingl\u00eas) mostram que, desde fevereiro, quando a epidemia come\u00e7ou por l\u00e1, foram registradas 25 mil mortes por problemas card\u00edacos a mais do que no mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<p>Segundo os m\u00e9dicos, com medo de serem infectadas com o novo coronav\u00edrus, muitas pessoas deixaram de ir ao hospital e ao m\u00e9dico, mesmo quando passam mal. \u201cO principal problema s\u00e3o as doen\u00e7as cardiovasculares n\u00e3o diagnosticadas e n\u00e3o tratadas\u201d, diz a cardiologista Glaucia Moraes, do programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o da UFRJ. \u201cE o problema foi ainda mais acentuado no Norte e no Nordeste, onde houve o colapso dos sistemas de sa\u00fade. As pessoas precisam voltar a se tratar, a procurar o cardiologista\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Sem diagn\u00f3stico<\/strong><\/p>\n<p>\u201cPodemos explicar o aumento por tr\u00eas fatores: acesso limitado a hospitais em locais onde houve sobrecarga do sistema de sa\u00fade, redu\u00e7\u00e3o da procura por cuidados m\u00e9dicos devido ao distanciamento social ou por preocupa\u00e7\u00e3o de contrair covid-19, e isolamento que prejudica a detec\u00e7\u00e3o de sintomas gerados por patologias cardiovasculares\u201d, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga. O levantamento foi feito com base nas declara\u00e7\u00f5es de \u00f3bito \u2013 documentos preenchidos pelos m\u00e9dicos que constataram os falecimentos \u2013 registradas nos cart\u00f3rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: Jornal de Bras\u00edlia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um pequeno estudo feito na Alemanha e publicado na revista Jama Cardiology em julho mostra como o coronav\u00edrus afeta o cora\u00e7\u00e3o &nbsp; Por Jornal de Bras\u00edlia<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":28611,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-28609","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28609","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=28609"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28609\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=28609"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=28609"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=28609"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}