{"id":28742,"date":"2020-09-03T14:19:36","date_gmt":"2020-09-03T17:19:36","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=28742"},"modified":"2020-09-03T14:19:36","modified_gmt":"2020-09-03T17:19:36","slug":"falta-de-vitamina-d-pode-aumentar-risco-de-covid-19-sugere-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=28742","title":{"rendered":"Falta de vitamina D pode aumentar risco de covid-19, sugere estudo"},"content":{"rendered":"<p><em>A vitamina D \u00e9 ativada na exposi\u00e7\u00e3o ao sol, mas pode vir tamb\u00e9m da alimenta\u00e7\u00e3o e de suplementos<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>BBC<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por volta de abril, quando o mundo ainda se perguntava se m\u00e1scaras ajudavam na preven\u00e7\u00e3o \u00e0 covid-19 ou se crian\u00e7as podiam transmitir a doen\u00e7a, j\u00e1 corriam boatos nas redes sociais anunciando pelo menos uma resposta salvadora: a vitamina D, que poderia ser refor\u00e7ada atrav\u00e9s de suplementos ou mesmo com a exposi\u00e7\u00e3o ao sol.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, sociedades cient\u00edficas e autoridades de sa\u00fade alertavam que n\u00e3o havia evid\u00eancias cient\u00edficas que sustentassem a defesa do refor\u00e7o de vitamina D como medida prote\u00e7\u00e3o contra a nova doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Nesta quinta-feira (3\/9), pesquisadores da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, publicaram o que afirmam ser o primeiro estudo que conseguiu avaliar a rela\u00e7\u00e3o entre n\u00edveis de vitamina D e infec\u00e7\u00e3o por covid-19.<\/p>\n<p>E o resultado \u2014 que deve ser tomados com cautela, segundo os pr\u00f3prios autores \u2014 foi: entre pessoas com defici\u00eancia de vitamina D, o percentual de infectados foi maior do que na compara\u00e7\u00e3o com aqueles sem a defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Na pesquisa, publicada no peri\u00f3dico cient\u00edfico JAMA Network Open, 489 pacientes que fizeram teste molecular (PCR) para covid-19 tiveram analisados tamb\u00e9m seus dados sobre n\u00edveis vitamina D, que j\u00e1 constavam em um sistema da faculdade de medicina com dados de sa\u00fade. Por isso, o estudo \u00e9 considerado do tipo retrospectivo e observacional \u2014 os autores se valeram de dados j\u00e1 registrados, buscando uma conex\u00e3o entre eles.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 diferente de um estudo cl\u00ednico randomizado controlado, por exemplo, em que pesquisadores controlam as vari\u00e1veis (ex: um placebo versus um rem\u00e9dio) e acompanham a evolu\u00e7\u00e3o do experimento em tempo real, podendo, no fim, mostrar uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito.<\/p>\n<p>No estudo divulgado nesta quinta-feira, os autores demonstraram uma associa\u00e7\u00e3o entre os fatores \u2014 defici\u00eancia de vitamina D e infec\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus \u2014, mas n\u00e3o podem dizer que uma coisa causou a outra.<\/p>\n<p>Os pacientes foram divididos em grupos, combinando informa\u00e7\u00f5es sobre n\u00edveis de vitamina D no corpo registrados h\u00e1 no m\u00e1ximo um ano antes do teste de covid-19 e poss\u00edveis tratamentos que puderam ser recebidos desde ent\u00e3o. Os participantes foram, ent\u00e3o, divididos em quatro categorias: provavelmente deficiente (n\u00edveis baixos de vitamina D e tratamento n\u00e3o aumentado); provavelmente suficiente (n\u00edveis n\u00e3o deficientes e tratamento n\u00e3o diminu\u00eddo); e outros dois grupos com defici\u00eancia indefinida.<\/p>\n<p>Do total de pacientes inclu\u00eddos no estudo, 71 (15%) testaram positivo para covid-19. Entre os participantes considerados deficientes para vitamina D, 19% (32 participantes) testaram positivo, enquanto no grupo sem defici\u00eancia, o percentual foi de 12% (39).<\/p>\n<p>&#8220;Estudos cl\u00ednicos randomizados controlados com tratamentos para reduzir a defici\u00eancia de vitamina D s\u00e3o necess\u00e1rios para determinar se estas interven\u00e7\u00f5es (com vitamina) podem reduzir a incid\u00eancia de covid-19, incluindo tanto pesquisas com popula\u00e7\u00f5es amplas como com grupos de particular risco para defici\u00eancia de vitamina D e\/ou covid-19&#8221;, ressaltam os autores.<\/p>\n<p>Por motivos ainda em estudo, a defici\u00eancia de vitamina D (ou hipovitaminose) \u00e9 comum no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p>Mas os autores da pesquisa no JAMA Network Open destacam que, nos EUA, a hipovitaminose \u00e9 mais comum em pessoas de pele mais escura e com menor exposi\u00e7\u00e3o ao sol, incluindo aquelas vivendo em lugares de latitude mais alta no inverno. Isso coincide com uma maior preval\u00eancia da covid-19 na popula\u00e7\u00e3o negra, por exemplo, e entre aqueles vivendo em cidades do norte do pa\u00eds no fim do inverno.<\/p>\n<p>Portanto, podem haver coincid\u00eancias entre hipovitaminose e infec\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus que impedem falar em uma causalidade. &#8220;A defici\u00eancia de vitamina D pode ser uma consequ\u00eancia associada a um conjunto de condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e h\u00e1bitos que plausivelmente aumentam o risco da covid-19&#8221;, diz o estudo, destacando, por\u00e9m, que os pesquisadores tentaram isolar estatisticamente o papel de comorbidades como obesidade e hipertens\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar do nome, a vitamina D \u00e9 um horm\u00f4nio. Receptores dele s\u00e3o encontrados em c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico, o que faz supor que a vitamina D tenha um papel no sistema de defesa, o que ainda n\u00e3o foi comprovado totalmente. A vitamina D \u00e9 ativada sob a exposi\u00e7\u00e3o ao sol e tamb\u00e9m adquirida atrav\u00e9s da alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Experi\u00eancia com outras infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias<br \/>\nUma pista que os pesquisadores j\u00e1 tinham era relativa a outras infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias \u2014 estudos cl\u00ednicos com a vitamina D nestes quadros j\u00e1 haviam mostrado que a suplementa\u00e7\u00e3o podia diminuir a incid\u00eancia do adoecimento.<\/p>\n<p>Por outro lado, os autores mencionam tamb\u00e9m um artigo de julho, publicado no peri\u00f3dico Diabetes &amp; Metabolic Syndrome por outra equipe, e que teve resultados divergentes, indicando uma menor relev\u00e2ncia da vitamina D. Neste, a associa\u00e7\u00e3o entre hipovitaminose e teste positivo para coronav\u00edrus n\u00e3o se mostrou estatisticamente relevante.<\/p>\n<p>Mas os pesquisadores da Universidade de Chicago criticam que, neste artigo de julho, os dados sobre n\u00edveis de vitamina D eram muito antigos, de 10 a 14 anos antes do diagn\u00f3stico de covid-19. Tamb\u00e9m n\u00e3o houve controle sobre tratamentos realizados neste meio tempo.<\/p>\n<p>Para a equipe que publicou no JAMA Network Open, os resultados rec\u00e9m-divulgados refor\u00e7am que a vitamina D tem sim papel no sistema de defesa.<\/p>\n<p>&#8220;A vitamina D modula a fun\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica por meio de efeitos nas c\u00e9lulas dendr\u00edticas e nas c\u00e9lulas T, que podem promover a elimina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e atenuar as respostas inflamat\u00f3rias que produzem os sintomas&#8221;, diz o artigo.<\/p>\n<p>&#8220;Na medida em que previne a infec\u00e7\u00e3o, diminui a replica\u00e7\u00e3o viral ou acelera a elimina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, o tratamento com vitamina D pode reduzir a transmiss\u00e3o (da doen\u00e7a). Por outro lado, se a vitamina D reduz a inflama\u00e7\u00e3o, ela pode aumentar a transmiss\u00e3o assintom\u00e1tica e diminuir as manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, incluindo a tosse, tornando dif\u00edcil prever seu efeito na dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: Getty Images<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vitamina D \u00e9 ativada na exposi\u00e7\u00e3o ao sol, mas pode vir tamb\u00e9m da alimenta\u00e7\u00e3o e de suplementos &nbsp; Por BBC &nbsp; Por volta de abril,<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":28743,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-28742","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28742","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=28742"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28742\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=28742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=28742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=28742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}