{"id":28784,"date":"2020-09-09T11:12:10","date_gmt":"2020-09-09T14:12:10","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=28784"},"modified":"2020-09-09T11:12:10","modified_gmt":"2020-09-09T14:12:10","slug":"azitromicina-nao-tem-eficacia-contra-covid-19-grave-mostra-estudo-brasileiro-inedito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=28784","title":{"rendered":"Azitromicina n\u00e3o tem efic\u00e1cia contra covid-19 grave, mostra estudo brasileiro in\u00e9dito"},"content":{"rendered":"<p><em>A azitromicina foi testada em estudo cl\u00ednico brasileiro somada ao tratamento padr\u00e3o, que inclu\u00eda tamb\u00e9m a hidroxicloroquina<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>BBC<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Amplamente usada em todo o mundo na resposta ao novo coronav\u00edrus, a azitromicina recebeu um grande balde de \u00e1gua fria nesta sexta-feira (04\/09).<\/p>\n<p>No primeiro estudo do tipo cl\u00ednico de que se tem not\u00edcia envolvendo o uso do medicamento em pacientes com covid-19 hospitalizados, pesquisadores brasileiros demonstraram que a azitromicina n\u00e3o leva a melhoras e, portanto, n\u00e3o tem indica\u00e7\u00e3o de uso para casos graves.<\/p>\n<p>Publicada na Lancet, a segunda revista m\u00e9dica mais influente do mundo de acordo com a consultoria Clarivate Analytics, a pesquisa envolveu 397 pessoas com diagn\u00f3stico de covid-19 em casos considerados graves \u2014 assim classificados por crit\u00e9rios como necessidade de refor\u00e7o de oxig\u00eanio ou ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica. Al\u00e9m disso, eles tinham fatores de risco associados, como hipertens\u00e3o ou diabetes.<\/p>\n<p>Os pacientes foram divididos aleatoriamente em dois grupos \u2014 214 deles receberam azitromicina mais o tratamento padr\u00e3o, e outros 183 receberam apenas o tratamento padr\u00e3o, sem azitromicina. O tratamento padr\u00e3o, feito em ambos os casos, inclu\u00eda a hidroxicloroquina, pois naquela \u00e9poca \u2014 entre mar\u00e7o e maio \u2014 seu uso estava sendo bastante frequente.<\/p>\n<p>Quinze dias depois, a situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade dos participantes foi avaliada atrav\u00e9s de uma escala com seis categorias, como ter recebido alta, mas manifestar sequela; estar internado usando ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica; ou mesmo \u00f3bito \u2014 o que aconteceu em percentual alto, j\u00e1 que o grupo de pacientes acompanhados s\u00f3 inclu\u00eda pessoas em estado grave.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve diferen\u00e7a entre os dois grupos na melhora segundo esta escala; a mortalidade ap\u00f3s 29 dias tamb\u00e9m foi praticamente igual (42% no grupo que recebeu azitromicina, versus 40% no grupo controle).<\/p>\n<p>O tempo m\u00e9dio de interna\u00e7\u00e3o foi, ainda, de 26 dias para os que receberam azitromicina e 18 no grupo que recebeu apenas o tratamento padr\u00e3o. A incid\u00eancia de efeitos colaterais foi semelhante nos dois grupos.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso estudo avaliou pacientes graves, em uma fase tardia da doen\u00e7a, mas n\u00e3o sabemos como a azitromicina funcionaria em pacientes ambulatoriais (mais leves)&#8221;, destaca Luciano Cesar Pontes de Azevedo, m\u00e9dico do Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas e parte da equipe que assina o artigo no Lancet.<\/p>\n<p>&#8220;Gostar\u00edamos muito que tivesse funcionado, porque \u00e9 um medicamento barato, conhecido e normalmente bem tolerado na quest\u00e3o dos efeitos colaterais&#8221;, acrescenta, afirmando que, com os resultados, espera que ao menos o rem\u00e9dio deixe de ser receitado indiscriminadamente no tratamento para covid-19, o que poderia levar a falta do medicamento para quem precisa e tamb\u00e9m aumento da resist\u00eancia de bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>Isto porque a fun\u00e7\u00e3o original da azitromicina \u00e9 de antibi\u00f3tico, muito usado em infec\u00e7\u00f5es bacterianas nas chamadas vias a\u00e9reas superiores, como no nariz e garganta. Mas ela tem tamb\u00e9m efeito anti-inflamat\u00f3rio, por isso pensou-se que o medicamento pudesse ter efeito na covid-19 \u2014 em que a rea\u00e7\u00e3o exagerada do sistema imunol\u00f3gico, que gera uma inflama\u00e7\u00e3o, tem sido apontada como um dos principais mecanismos de agravamento da nova doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;A azitromicina \u00e9 descrita tamb\u00e9m como uma imunomoduladora. Mas, para doen\u00e7as virais, sua efic\u00e1cia tem poucas avalia\u00e7\u00f5es e n\u00e3o \u00e9 conclusiva&#8221;, explica o m\u00e9dico, que tem doutorado pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e p\u00f3s-doutorado pelo Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca).<\/p>\n<p>Ainda assim, ele relata que a azitromicina tem sido amplamente usada contra a covid, seja para casos mais leves ou graves. Um levantamento mundial da Sermo, uma plataforma virtual para m\u00e9dicos, mostrou em abril que a azitromicina era o segundo medicamento mais receitado por profissionais entrevistados (41%) contra a covid-19, atr\u00e1s apenas dos analg\u00e9sicos. Foram consultados 6,2 mil m\u00e9dicos em 30 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Um marco para a aposta na azitromicina foi um estudo da Fran\u00e7a que mostrou o que seriam resultados ben\u00e9ficos da associa\u00e7\u00e3o deste antibi\u00f3tico com a hidroxicloroquina, envolvendo cerca de 30 pacientes.<\/p>\n<p>Divulgado em maio na plataforma medRxiv (em que s\u00e3o postados trabalhos sem a chamada revis\u00e3o dos pares), o trabalho foi dias depois retirado do ar a pedido dos pr\u00f3prios pesquisadores, com a seguinte justificativa: &#8220;Por conta da controv\u00e9rsia sobre a hidroxicloroquina e da natureza retrospectiva desse estudo, os autores pretendem revisar o manuscrito ap\u00f3s a revis\u00e3o dos pares&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Coaliz\u00e3o j\u00e1 publicou sobre hidroxicloroquina e dexametasona<\/strong><\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o entre hidroxicloroquina e azitromicina j\u00e1 havia sido testada em outra pesquisa da mesma equipe brasileira, publicada em julho no New England Journal of Medicine.<\/p>\n<p>No entanto, os pacientes envolvidos tinham quadros leves ou moderados de covid-19, diferente do estudo publicado nesta sexta-feira, com pacientes graves. Naquele artigo, foi mostrado que a hidroxicloroquina sozinha ou associada \u00e0 azitromicina n\u00e3o provocava melhora na compara\u00e7\u00e3o com o tratamento padr\u00e3o.<\/p>\n<p>Tanto o artigo publicado na Lancet quanto no New England Journal of Medicine s\u00e3o fruto da Coaliz\u00e3o Covid-19 Brasil, uma associa\u00e7\u00e3o entre diferentes hospitais e institui\u00e7\u00f5es que criou nove linhas de pesquisa com tratamentos em potencial para a nova doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A coaliz\u00e3o \u00e9 formada pelo Hospital Israelita Albert Einstein; HCor; Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas; Hospital Moinhos de Vento; Hospital Alem\u00e3o Oswaldo Cruz; a Benefic\u00eancia Portuguesa de S\u00e3o Paulo; o Brazilian Clinical Research Institute (BCRI); e a Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet).<\/p>\n<p>Segundo Luciano Cesar Pontes de Azevedo, na pesquisa a azitromicina mostrou ter pouco efeito anti-inflamat\u00f3rio, indicando a necessidade de um medicamento mais forte com esta fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na quarta-feira (03\/09), a coaliz\u00e3o publicou, como parte de uma colabora\u00e7\u00e3o internacional, um artigo no Journal of the American Medical Association (JAMA), que mostrou um candidato promissor: o corticoide dexametasona. Em pacientes graves com covid-19, o uso deste anti-inflamat\u00f3rio diminuiu a mortalidade.<\/p>\n<p>Sobre o estudo com a azitromicina, Azevedo aponta como limita\u00e7\u00f5es a an\u00e1lise de um grupo focado em quadros graves, em detrimento de uma popula\u00e7\u00e3o mais ampla; a associa\u00e7\u00e3o com a hidroxicloroquina, o que dificulta o entendimento de qual poderia ser a a\u00e7\u00e3o da azitromicina isolada; e a aus\u00eancia de um grupo de controle utilizando placebo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: Getty Images<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A azitromicina foi testada em estudo cl\u00ednico brasileiro somada ao tratamento padr\u00e3o, que inclu\u00eda tamb\u00e9m a hidroxicloroquina &nbsp; Por BBC &nbsp; Amplamente usada em todo o<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":28785,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-28784","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=28784"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28784\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=28784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=28784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=28784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}