{"id":29150,"date":"2020-10-08T12:40:03","date_gmt":"2020-10-08T15:40:03","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=29150"},"modified":"2020-10-08T12:40:03","modified_gmt":"2020-10-08T15:40:03","slug":"setor-publico-gasta-r-383-per-capita-por-dia-com-saude-diz-cfm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=29150","title":{"rendered":"Setor p\u00fablico gasta R$ 3,83 per capita por dia com sa\u00fade, diz CFM"},"content":{"rendered":"<p><em>Levantamento \u00e9 do Conselho Federal de Medicina e da ONG Contas Abertas<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em parceria com a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Contas Abertas, mostra que o setor p\u00fablico gastou no ano passado R$ 3,83 per capita por dia com a sa\u00fade dos brasileiros.<\/p>\n<p>O valor, segundo o estudo, inclui todas as a\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade declarados pelas tr\u00eas esferas de governo \u2013 municipal, estadual e federal. S\u00e3o contabilizados, por exemplo, o custeio da rede de atendimento do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e o pagamento de funcion\u00e1rios. N\u00e3o entram na conta gastos com pens\u00f5es de servidores inativos ou com treinamentos, de acordo com o conselho.<\/p>\n<p>Pelo c\u00e1lculo feito pelo CFM a partir dos dados oficiais, o gasto por habitante com sa\u00fade no pa\u00eds foi de R$ 1.398,53 no ano passado, quantia levemente acima dos R$ 1.382,29 registrados em 2018, quando o gasto per capita di\u00e1rio ficou em R$ 3,79. H\u00e1 12 anos, esse indicador fica na casa dos R$ 3.<\/p>\n<p>No total, o setor p\u00fablico gastou com sa\u00fade no ano passado a cifra de R$ 292,5 bilh\u00f5es, valor que \u00e9 considerado abaixo do ideal pelo presidente do CFM, Mauro Ribeiro. O subfinanciamento acaba se refletindo em indicadores sanit\u00e1rios ruins e em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho, avaliou o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>No material de divulga\u00e7\u00e3o do levantamento, o presidente do CFM destacou que a falta de recursos torna-se mais grave diante do aumento, nos \u00faltimos anos, da demanda por servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade, em especial devido \u00e0 incid\u00eancia crescente de doen\u00e7as cr\u00f4nicas na popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, o aumento da popula\u00e7\u00e3o de desempregados, que fez com que 3,5 milh\u00f5es de brasileiros abandonassem os planos de sa\u00fade, especialmente a partir de 2014, repercute na procura por atendimento em cuidados b\u00e1sicos e ambulatoriais na rede p\u00fablica\u201d, acrescentou Ribeiro.<\/p>\n<p><strong>Mundo<\/strong><\/p>\n<p>No relat\u00f3rio, o CFM compara as cifras brasileiras com as de cinco pa\u00edses que tamb\u00e9m adotam como modelo o atendimento universal de sa\u00fade: a Argentina, o Canad\u00e1, a Espanha, Fran\u00e7a e o Reino Unido.<\/p>\n<p>Com base em dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) de 2017, o conselho destaca que, entre esses pa\u00edses, o Brasil \u00e9 o que tem o menor gasto per capita com sa\u00fade pelo setor p\u00fablico, de US$ 389 anuais. Na Argentina, por exemplo, esse valor chega a US$ 959.<\/p>\n<p>Ainda assim, os gastos totais com sa\u00fade no Brasil correspondem a 9,47% do Produto Interno Bruto (PIB), patamar similar ao dos demais pa\u00edses. O CFM destaca, por\u00e9m, que menos da metade desse volume (41,9%) diz respeito a gastos do setor p\u00fablico, sendo as fam\u00edlias respons\u00e1veis por desembolsar o restante no setor privado. Nos outros cinco pa\u00edses comparados, a fatia do governo fica acima de 70%.<\/p>\n<p>Em entrevista coletiva por videoconfer\u00eancia, o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Donizetti Giamberardino, disse que a baixa presen\u00e7a do setor p\u00fablico nos gastos com sa\u00fade demonstra que o Brasil est\u00e1 longe de concretizar o modelo universal preconizado pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988.<\/p>\n<p>\u201cPara a nossa proposta de universaliza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, o dinheiro \u00e9 insuficiente. Ao mesmo tempo, temos problema de gest\u00e3o e corrup\u00e7\u00e3o\u201d, disse Giamberardino. \u201cH\u00e1 uma l\u00f3gica de n\u00e3o investir, isso \u00e9 muito cruel porque nosso pais \u00e9 enorme, muito excludente, e n\u00e3o tem uma pol\u00edtica para reduzir essa desigualdade\u201d, acrescentou o m\u00e9dico. Ele defendeu que o SUS tenha um or\u00e7amento \u201ccoerente com os seus prop\u00f3sitos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Estados e munic\u00edpios<\/strong><\/p>\n<p>O levantamento do CFM mostra que nos \u00faltimos 11 anos vem aumentando a presen\u00e7a dos munic\u00edpios nos gastos com sa\u00fade, ao mesmo tempo em que cai a do governo federal. O gasto dos estados tem permanecido est\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em 2019, os munic\u00edpios foram respons\u00e1veis por 31,3% dos gastos com sa\u00fade. Em 2009, essa fatia era de 27,6%. No ano passado, a Uni\u00e3o, que faz a aquisi\u00e7\u00e3o da maior parte dos medicamentos e vacinas, foi respons\u00e1vel por 42,4% dos gastos, abaixo dos 46% registrados em 2009.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia nacional de gastos per capita das prefeituras com sa\u00fade em todo o ano de 2019 foi R$ 490,72. Entre as capitais, o maior gasto per capita anual no ano passado foi registrado em Teresina (R$ 703,76), seguida por S\u00e3o Paulo (R$ 673,71) e Vit\u00f3ria (R$ 667,71). Os menores gastos per capita foram em Salvador (R$ 275,66), Rio Branco (R$ 255,76) e Macap\u00e1 (R$173,74).<\/p>\n<p>Devido aos repasses federais e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o baixa, o maior gasto anual per capita no Brasil (R$ 809,25, em m\u00e9dia) \u00e9 dos munic\u00edpios pequenos, com at\u00e9 5 mil habitantes. Nos munic\u00edpios acima de 400 mil habitantes, a m\u00e9dia per capita anual \u00e9 de R$ 493,52.<\/p>\n<p>Os munic\u00edpios que registram o menor gasto anual per capita com sa\u00fade ficam no Par\u00e1: Camet\u00e1, (134 mil hab), com R$ 69,72; e Muan\u00e1 (39 mil hab), com R$ 77,44. O estado \u00e9 tamb\u00e9m onde se gasta menos com sa\u00fade entre as 27 unidades da Federa\u00e7\u00e3o: R$ 787,07 anuais por cidad\u00e3o, inclu\u00eddo aportes federais, estaduais e municipais.<\/p>\n<p>\u201cEsse valor deveria ser muito maior para conseguir amenizar o sofrimento da popula\u00e7\u00e3o\u201d, avalia Hideraldo Cabe\u00e7a, representante do estado do Par\u00e1 no CFM. \u201cA forma que \u00e9 viabilizada a estrutura do SUS \u00e9 cruel para a popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Diante da falta de recursos, o conselheiro do Par\u00e1 defendeu melhor gest\u00e3o do dinheiro. Para isso, uma das propostas \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de microrregi\u00f5es, abrangendo entre 500 mil e 1 milh\u00e3o de habitantes, nas quais os munic\u00edpios possam coordenar melhor os gastos com sa\u00fade, formando redes de acesso mais completas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: Reuters<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento \u00e9 do Conselho Federal de Medicina e da ONG Contas Abertas &nbsp; Por Ag\u00eancia Brasil &nbsp; Um levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM),<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":29151,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-29150","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29150","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=29150"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29150\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=29150"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=29150"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=29150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}