{"id":29206,"date":"2020-10-16T14:55:32","date_gmt":"2020-10-16T17:55:32","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=29206"},"modified":"2020-10-16T14:55:32","modified_gmt":"2020-10-16T17:55:32","slug":"covid-afeta-o-cerebro-e-pode-causar-alteracoes-mesmo-em-pacientes-leves-aponta-estudo-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=29206","title":{"rendered":"Covid afeta o c\u00e9rebro e pode causar altera\u00e7\u00f5es mesmo em pacientes leves, aponta estudo brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><em>V\u00edrus invade c\u00e9lulas cerebrais e altera prote\u00ednas associadas \u00e0 doen\u00e7as como Parkinson e Alzheimer. Estudo tenta entender se les\u00f5es neurol\u00f3gicas s\u00e3o passageiras ou irrevers\u00edveis<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>GloboNews<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada por um grupo de mais de 70 pesquisadores brasileiros mostra como o novo coronav\u00edrus age no c\u00e9rebro humano, provocando a morte de neur\u00f4nios n\u00e3o apenas nos pacientes graves ou moderados, mas tamb\u00e9m nos pacientes leves que ainda n\u00e3o precisaram de tratamento hospitalar na fase aguda da Covid-19.<\/p>\n<p>O estudo foi coordenado pelos pesquisadores Daniel Martins-de-Souza, Marcelo Mori e Clarissa Lin Yasuda, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Thiago Cunha, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), que contaram com financiamento da Fapesp. Tamb\u00e9m participaram representantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancias (LNBio) e do Instituto D\u2019Or.<\/p>\n<p>O artigo com os resultados foi publicado em vers\u00e3o pr\u00e9-print na plataforma medRxiv e segue em avalia\u00e7\u00e3o por uma revista cient\u00edfica internacional.<\/p>\n<p><strong>Os resultados revelam que:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>o v\u00edrus promove altera\u00e7\u00f5es significativas na estrutura do c\u00f3rtex, a regi\u00e3o do c\u00e9rebro mais rica em neur\u00f4nios e respons\u00e1vel por fun\u00e7\u00f5es complexas como mem\u00f3ria, aten\u00e7\u00e3o, consci\u00eancia e linguagem.<\/li>\n<li>o v\u00edrus infecta e se replica nos astr\u00f3citos, que s\u00e3o as c\u00e9lulas mais abundantes do sistema nervoso central e t\u00eam formato de estrela.<\/li>\n<li>foram observadas atrofias em \u00e1reas relacionadas, por exemplo, \u00e0 ansiedade, um dos sintomas mais frequentes no grupo estudado.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cN\u00f3s encontramos muitos pacientes que, mesmo j\u00e1 tendo se curado da Covid-19 h\u00e1 cerca de 2 meses, continuavam apresentando sintomas neurol\u00f3gicos, como fortes dores de cabe\u00e7a, sonol\u00eancia excessiva, altera\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, al\u00e9m de perda de olfato e paladar. Em alguns casos raros, at\u00e9 convuls\u00f5es, e esses pacientes nunca tinham sentido isso antes&#8221; &#8211; Clarissa Lin Yasuda, pesquisadora da Unicamp<\/p>\n<p><strong>Mecanismos de a\u00e7\u00e3o do v\u00edrus<\/strong><\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, foram feitas duas grandes descobertas em rela\u00e7\u00e3o ao mecanismo de a\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. Quando o SARS-CoV-2 entra no c\u00e9rebro ele ataca uma esp\u00e9cie de c\u00e9lula de apoio respons\u00e1vel pelos processos metab\u00f3licos, dificultando a produ\u00e7\u00e3o de energia e a nutri\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios e, consequentemente, podendo levar \u00e0 morte do tecido cerebral.<\/p>\n<p>Alguns estudos j\u00e1 haviam demonstrado a presen\u00e7a do novo coronav\u00edrus no c\u00e9rebro, mas desta vez os experimentos comprovaram que a infec\u00e7\u00e3o e replica\u00e7\u00e3o nos astr\u00f3citos.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a do v\u00edrus foi confirmada nas 26 amostras estudadas, coletadas por meio de aut\u00f3psia minimamente invasiva realizada em pacientes que morreram por causa da Covid-19.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o estudo traz mais ind\u00edcios de que a via de acesso para o c\u00e9rebro \u00e9 o nariz. Em outro bra\u00e7o da pesquisa, a an\u00e1lise de imagens de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica em pacientes leves que n\u00e3o tinham precisado ainda de hospitaliza\u00e7\u00e3o demonstraram uma redu\u00e7\u00e3o importante do c\u00f3rtex cerebral em algumas regi\u00f5es pr\u00f3ximas \u00e0s vias a\u00e9reas, chamada de regi\u00e3o orbitofrontal, comprovando que se tratam de altera\u00e7\u00f5es da estrutura cerebral.<\/p>\n<p>Algumas \u00e1reas apresentavam espessura menor do que a m\u00e9dia observada em c\u00e9rebros n\u00e3o acometidos pela Covid-19, enquanto outras apresentavam aumento de tamanho o que, segundo os autores, poderia indicar algum grau de edema. Foi ainda nesta regi\u00e3o que foram observadas as atrofias.<\/p>\n<p><strong>Suspeita de liga\u00e7\u00e3o com outras doen\u00e7as gen\u00e9ticas<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisadora da Unicamp Clarissa Lin Yasuda afirma ainda que h\u00e1 suspeita de que o v\u00edrus possa ativar doen\u00e7as gen\u00e9ticas como esquizofrenia, Parkinson e Alzheimer. &#8220;O que n\u00f3s ainda n\u00e3o sabemos \u00e9 a gravidade destas les\u00f5es, se s\u00e3o passageiras ou se podem ser irrevers\u00edveis, por isso vamos acompanhar esses pacientes pelos pr\u00f3ximos 3 anos para saber se o v\u00edrus desencadeia doen\u00e7as degenerativas em quem tem algum potencial gen\u00e9tico\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora os cientistas n\u00e3o tinham certeza se o v\u00edrus estava mesmo dentro das c\u00e9lulas do c\u00e9rebro ou se os sintomas eram causados por outros problemas trazidos pela doen\u00e7a, mas os estudos mostraram o v\u00edrus agindo em c\u00e9lulas do c\u00e9rebro. Embora a maior parte dos pacientes com Covid-19 apresente sintomas pulmonares, como pneumonia e falta de ar, cerca de 30% dos infectados acabam manifestando sintomas neurol\u00f3gicos ou psiqui\u00e1tricos.<\/p>\n<p>\u201cNos pacientes graves, a morte de neur\u00f4nios j\u00e1 era esperada porque eles t\u00eam baixa oxigena\u00e7\u00e3o do sangue e isso prejudica muito o c\u00e9rebro, mas uma pessoa leve ou moderada ter uma modifica\u00e7\u00e3o significativa como esta \u00e9 muito mais preocupante\u201d, enfatiza Daniel Martins-de-Souza, pesquisador da Unicamp e do Instituto D&#8217;Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), um dos l\u00edderes do estudo.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7a no tratamento<\/strong><\/p>\n<p>A descoberta \u00e9 importante porque pode mudar o tipo de tratamento que os pacientes est\u00e3o recebendo. Uma das perguntas que precisam ser respondidas \u00e9 como o v\u00edrus chega ao sistema nervoso central e qual \u00e9 o mecanismo de a\u00e7\u00e3o para entrar nos astr\u00f3citos.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 agora, a gente considerava que alguns sintomas eram secund\u00e1rios da doen\u00e7a, mas a gente est\u00e1 vendo que, em algumas pessoas, os sintomas neurol\u00f3gicos e psiqui\u00e1tricos podem ser prim\u00e1rios, ou seja, n\u00e3o adianta tratar o pulm\u00e3o desse paciente porque o coronav\u00edrus est\u00e1 no c\u00e9rebro. Entendendo que o v\u00edrus muda a forma de fazer energia nas c\u00e9lulas, n\u00f3s conseguimos come\u00e7ar a pensar em como usar os medicamentos corretos\u201d, explica Martins-de-Souza.<\/p>\n<p>Para Lin Yasuda, a principal contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 ajudar a encontrar alvos para o tratamento. \u201cSe eu souber que o Sars-CoV-2 mexe com os astr\u00f3citos, eu posso inventar uma droga que n\u00e3o deixe ele entrar nesta c\u00e9lula, ou que fortale\u00e7a essa c\u00e9lula, ou eu posso, talvez, criar uma medica\u00e7\u00e3o que possa ser utilizada por via nasal para ajudar a evitar que o novo coronav\u00edrus entre no organismo. Isso aumenta as nossas chances de combate \u00e0 doen\u00e7a. Quando eu n\u00e3o sei com quem eu vou brigar, como eu vou me defender?\u201d, destaca a neurologista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00edrus invade c\u00e9lulas cerebrais e altera prote\u00ednas associadas \u00e0 doen\u00e7as como Parkinson e Alzheimer. 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