{"id":29412,"date":"2020-11-13T11:36:11","date_gmt":"2020-11-13T14:36:11","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=29412"},"modified":"2020-11-13T11:36:11","modified_gmt":"2020-11-13T14:36:11","slug":"vacina-contra-o-cancer-de-mama-mais-agressivo-tem-sucesso-em-teste-com-camundongos-aponta-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=29412","title":{"rendered":"Vacina contra o c\u00e2ncer de mama mais agressivo tem sucesso em teste com camundongos, aponta pesquisa"},"content":{"rendered":"<p><em>Pesquisadores dos EUA apontam que t\u00e9cnica usada em cobaias destruiu c\u00e9lulas tumorais e ainda criou mem\u00f3ria imunol\u00f3gica, que forneceu prote\u00e7\u00e3o contra o ressurgimento do tumor<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>G1<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pesquisadores dos Estados Unidos afirmam ter obtido sucesso nos est\u00e1gios iniciais de desenvolvimento de uma vacina contra um tipo espec\u00edfico de c\u00e2ncer de mama. O estudo est\u00e1 na fase de testes em cobaias, mas os cientistas dizem que a t\u00e9cnica foi capaz de destruir as c\u00e9lulas cancerosas e tamb\u00e9m de criar mem\u00f3ria imunol\u00f3gica, que forneceu prote\u00e7\u00e3o contra o ressurgimento do tumor.<\/p>\n<p>Publicada na revista cient\u00edfica &#8220;Nature Communications&#8221;, a pesquisa foi conduzida pelo Instituto Wyss, da Universidade de Harvard (EUA), em parceria com o Instituto do C\u00e2ncer Dana-Farber.<\/p>\n<p>O estudo teve como alvo o c\u00e2ncer de mama triplo negativo, que representa 15% dos casos de c\u00e2ncer de mama no mundo, \u00e9 mais frequente entre mulheres jovens e \u00e9 considerado o mais agressivo.<\/p>\n<p>As chamadas &#8220;vacinas&#8221; contra o c\u00e2ncer est\u00e3o em desenvolvimento ao menos desde 2009. O termo \u00e9 usado ainda que elas sejam aplicadas em situa\u00e7\u00f5es na qual a doen\u00e7a j\u00e1 est\u00e1 instalada, lembrando tamb\u00e9m a a\u00e7\u00e3o de um medicamento.<\/p>\n<p>A principal estrat\u00e9gia dessas vacinas consiste em pegar mol\u00e9culas das c\u00e9lulas cancerosas e usar nelas subst\u00e2ncias que permitam que o corpo as reconhe\u00e7a e as destrua. O procedimento tenta driblar o principal mecanismo de a\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer, que \u00e9 justamente impedir que o corpo identifique o crescimento desordenado das c\u00e9lulas do pr\u00f3prio paciente como uma amea\u00e7a.<\/p>\n<p>No caso da vacina desenvolvida por Harvard, os pesquisadores buscaram fazer com que o medicamento tivesse a efetividade da quimioterapia (tratamento que utiliza medicamentos para destruir as c\u00e9lulas doentes) e a efic\u00e1cia de longo prazo da imunoterapia (que auxilia o pr\u00f3prio sistema imunol\u00f3gico do paciente a identificar e combater o c\u00e2ncer).<\/p>\n<p><strong>Dupla a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os cientistas implantaram uma matriz de medicamentos do tamanho do comprimido de aspirina sob a pele dos camundongos. Nas cobaias, a vacina foi colocada perto de um dos linfonodos, que s\u00e3o pequenos \u00f3rg\u00e3os do sistema linf\u00e1tico que atuam na defesa do organismo.<\/p>\n<p>Justamente por causa da dupla estrat\u00e9gia (quimioterapia e imunoterapia), a matriz com a vacina levou em seus componentes dois tipos principais de droga:<\/p>\n<ul>\n<li>uma delas \u00e9 capaz de incentivar o crescimento e a reuni\u00e3o das c\u00e9lulas dendr\u00edticas, tipo de c\u00e9lula do sistema imune respons\u00e1vel por iniciar a defesa do corpo contra uma amea\u00e7a.<\/li>\n<li>al\u00e9m de reunir essas c\u00e9lulas de defesa, a vacina transportou uma droga usada na quimioterapia, que conseguiu agir no local e matar c\u00e9lulas cancerosas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A &#8220;explos\u00e3o&#8221; dos tumores liberou material que as c\u00e9lulas dendr\u00edticas reconheceram e passaram a identificar como uma amea\u00e7a ao corpo, levando a uma a\u00e7\u00e3o de defesa de longo prazo.<\/p>\n<p><strong>Avan\u00e7o entre as vacinas<\/strong><\/p>\n<p>Os pesquisadores afirmam que a t\u00e9cnica tem vantagens em rela\u00e7\u00e3o aos outros estudos com vacinas contra o c\u00e2ncer porque as pesquisas anteriores dependiam, primeiro, que os desenvolvedores j\u00e1 tivessem acesso ao tipo de mol\u00e9cula presente no tumor, os chamados &#8220;ant\u00edgenos espec\u00edficos&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com os cientistas, atualmente a &#8220;biblioteca&#8221; com os ant\u00edgenos ligados a cada tipo de c\u00e2ncer \u00e9 pequena.<\/p>\n<p>\u201cA capacidade desta vacina de induzir respostas imunes potentes sem exigir a identifica\u00e7\u00e3o de ant\u00edgenos espec\u00edficos do paciente \u00e9 uma grande vantagem, assim como a capacidade da administra\u00e7\u00e3o de quimioterapia local de contornar os efeitos colaterais graves da quimioterapia, o \u00fanico tratamento atualmente dispon\u00edvel para a doen\u00e7a\u201d, disse Robert P. Pinkas, um dos autores do estudo e l\u00edder da plataforma de Immuno-Materials no Instituto Wyss.<\/p>\n<p>Os camundongos tamb\u00e9m foram submetidos a testes nos quais os tumores prim\u00e1rios foram removidos \u2013 depois, os animais foram imunizados. Segundo o comunicado, todos os que foram submetidos ao procedimento sobreviveram, sem met\u00e1stase.<\/p>\n<p><strong>C\u00e2ncer de mama triplo-negativo<\/strong><\/p>\n<p>Inicialmente, a pesquisa est\u00e1 voltada apenas para o c\u00e2ncer de mama triplo-negativo. &#8220;Esse tipo de c\u00e2ncer n\u00e3o estimula respostas fortes do sistema imunol\u00f3gico, e as imunoterapias existentes n\u00e3o conseguiram trat\u00e1-lo&#8221;, explica o coautor do artigo, Hua Wang.<\/p>\n<p>A equipe continua explorando a combina\u00e7\u00e3o de quimioterapia com vacinas contra o c\u00e2ncer e espera melhorar sua efic\u00e1cia antitumoral para outros tumores de dif\u00edcil tratamento. Os pesquisadores esperam que mais estudos permitam que a vacina avance para testes pr\u00e9-cl\u00ednicos e, futuramente, possa ser testada em pacientes humanos.<\/p>\n<p><strong>Outras vacinas<\/strong><\/p>\n<p>Outros pesquisadores j\u00e1 usaram m\u00e9todos parecidos para criar uma vacina contra o c\u00e2ncer. O Instituto do C\u00e2ncer Dana-Farber, que participa do estudo de Harvard, j\u00e1 realiza testes cl\u00ednicos (com humanos) no tratamento do c\u00e2ncer de pele melanoma.<\/p>\n<p>No Brasil, cientistas desenvolveram uma vacina contra o c\u00e2ncer de pele e obtiveram bons resultados nos testes realizados com camundongos.<\/p>\n<p>&#8220;A vacina consiste em modificar c\u00e9lulas tumorais para que produzam imunomoduladores. Esses imunomoduladores estimulam as c\u00e9lulas de defesa do organismo a identificar e eliminar o c\u00e2ncer&#8221;, disse o pesquisador Marcio Chaim Bajgelman, que coordena o estudo no Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancias, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).<\/p>\n<p>Nos EUA, pesquisadores usaram c\u00e9lula-tronco para atacar tumores de mama, pulm\u00e3o e de pele em cobaias. As c\u00e9lulas-tronco foram utilizadas para ensinar o sistema imunol\u00f3gico a lutar contra o tumor. O teste foi feito em camundongos.<\/p>\n<p>Um outro estudo \u2013 feito no Reino Unido, Canad\u00e1 e Alemanha \u2013 testou uma vacina para tratar o c\u00e2ncer no c\u00e9rebro. A tecnologia usou as c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico do pr\u00f3prio corpo para atacar o c\u00e2ncer. A pesquisa inicial envolveu 311 pacientes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Universidade de Harvard<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores dos EUA apontam que t\u00e9cnica usada em cobaias destruiu c\u00e9lulas tumorais e ainda criou mem\u00f3ria imunol\u00f3gica, que forneceu prote\u00e7\u00e3o contra o ressurgimento do tumor &nbsp;<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":29413,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-29412","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29412","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=29412"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29412\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=29412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=29412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=29412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}