{"id":29584,"date":"2020-12-08T14:07:25","date_gmt":"2020-12-08T17:07:25","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=29584"},"modified":"2020-12-08T14:07:25","modified_gmt":"2020-12-08T17:07:25","slug":"candida-auris-brasil-emite-alerta-sobre-1o-caso-de-superfungo-fatal-resistente-a-medicamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=29584","title":{"rendered":"Candida auris: Brasil emite alerta sobre 1\u00ba caso de \u2018superfungo\u2019 fatal resistente a medicamentos"},"content":{"rendered":"<p><em>Segundo o alerta da Anvisa, o fungo foi identificado em &#8220;amostra de ponta de cateter de paciente internado em UTI adulto em hospital do Estado da Bahia&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Por <strong>BBC<\/strong><\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) emitiu um alerta na segunda-feira (7\/12) sobre uma investiga\u00e7\u00e3o em curso do poss\u00edvel primeiro caso positivo no pa\u00eds de Candida auris, fungo resistente a medicamentos respons\u00e1vel por infec\u00e7\u00f5es hospitalares que se tornou um dos mais temidos do mundo.<\/p>\n<p>Em seu alerta, a Anvisa afirmou que o Candida auris (C. auris) &#8220;\u00e9 um fungo emergente que representa uma s\u00e9ria amea\u00e7a \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica&#8221;.<\/p>\n<p>A infec\u00e7\u00e3o por C. auris \u00e9 resistente a medicamentos e pode ser fatal. Em todo o mundo, estima-se que infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas invasivas de C. auris tenham levado \u00e0 morte de entre 30% e 60% dos pacientes.<\/p>\n<p>Segundo o alerta da Anvisa, o fungo foi identificado em &#8220;amostra de ponta de cateter de paciente internado em UTI adulto em hospital do Estado da Bahia&#8221;. A amostra foi analisada pelo Laborat\u00f3rio Central de Sa\u00fade P\u00fablica Prof\u00ba Gon\u00e7alo Moniz (Lacen-BA), em Salvador, e pelo Laborat\u00f3rio do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A Anvisa afirma que a amostra ainda ser\u00e1 submetida a &#8220;an\u00e1lises fenot\u00edpicas (para verificar o perfil de sensibilidade e resist\u00eancia)&#8221; e &#8220;sequenciamento gen\u00e9tico do microrganismo (padr\u00e3o-ouro)&#8221; at\u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o oficial do caso.<\/p>\n<p>Diante da suspeita, a Anvisa recomendou o refor\u00e7o da vigil\u00e2ncia laboratorial do fungo em todos os servi\u00e7os de sa\u00fade do pa\u00eds, entre outras medidas de controle e preven\u00e7\u00e3o para evitar um surto.<\/p>\n<p><strong>Obst\u00e1culos de controle e preven\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO fungo foi identificado pela primeira vez em 2009 no canal auditivo de uma paciente no Jap\u00e3o. Desde ent\u00e3o, houve casos identificados em pa\u00edses como \u00cdndia, \u00c1frica do Sul, Venezuela, Col\u00f4mbia, Estados Unidos, Israel, Paquist\u00e3o, Qu\u00eania, Kuwait, Reino Unido e Espanha.<\/p>\n<p>Em 2016, a Opas, bra\u00e7o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, publicou um alerta recomendando a ado\u00e7\u00e3o de medidas de preven\u00e7\u00e3o e controle por causa de surtos relacionados ao fungo na regi\u00e3o. O primeiro surto da regi\u00e3o ocorreu na Venezuela, entre 2012 e 2013, atingindo 18 pacientes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o C. auris costuma ser confundido com outras infec\u00e7\u00f5es, levando a tratamentos inadequados.<\/p>\n<p>&#8220;O C. auris sobrevive em ambientes hospitalares e, portanto, a limpeza \u00e9 fundamental para o controle. A descoberta (do fungo) pode ser uma quest\u00e3o s\u00e9ria tanto para os pacientes quanto para o hospital, j\u00e1 que o controle pode ser dif\u00edcil&#8221;, explicou a m\u00e9dica Elaine Cloutman-Green, especialista em controle de infec\u00e7\u00f5es e professora da University College London (UCL).<\/p>\n<p>Nem todos os hospitais identificam o C. auris da mesma maneira. \u00c0s vezes, o fungo \u00e9 confundido com outras infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas, como a candid\u00edase comum.<\/p>\n<p>Em 2017, uma pesquisa publicada por Alessandro Pasqualotto, da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Porto Alegre, analisou 130 laborat\u00f3rios de centros m\u00e9dicos de refer\u00eancia na Am\u00e9rica Latina e descobriu que s\u00f3 10% deles t\u00eam capacidade de detec\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as invasivas de fungos de acordo com padr\u00f5es europeus.<\/p>\n<p>Segundo a Anvisa, o surto em 2016 em Cartagena, na Col\u00f4mbia, \u00e9 um exemplo de como o micro-organismo \u00e9 dif\u00edcil de identificar. Cinco casos de infec\u00e7\u00e3o foram identificados como tr\u00eas fungos diferentes at\u00e9 um m\u00e9todo mais moderno de an\u00e1lise diagnosticar o pat\u00f3geno corretamente como C. auris.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o C. auris \u00e9 muito resistente e pode sobreviver em superf\u00edcies por um longo tempo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel elimin\u00e1-lo usando os detergentes e desinfetantes mais comuns.<\/p>\n<p>\u00c9 importante, portanto, utilizar os produtos qu\u00edmicos de limpeza adequados dos hospitais, especialmente se houver um surto.<\/p>\n<p>Em alerta emitido em 2017, a Anvisa explicou que n\u00e3o se sabe ao certo qual \u00e9 o modo mais preciso de transmiss\u00e3o do fungo dentro de uma unidade de sa\u00fade. Estudos apontam que isso pode ocorrer por contato com superf\u00edcie ou equipamentos contaminados e de pessoa para pessoa.<\/p>\n<p>O maior surto ligado ao C. auris ocorreu em 2015 em Londres, com 22 pacientes infectados e outros 28 colonizados.<\/p>\n<p><strong>Resist\u00eancia a medicamentos<\/strong><br \/>\nA resist\u00eancia aos antif\u00fangicos comuns, como o fluconazol, foi identificada na maioria das cepas de C. auris encontradas em pacientes.<\/p>\n<p>Isso significa que essas drogas n\u00e3o funcionam para combater o C. auris. Por causa disso, medica\u00e7\u00f5es fungicidas menos comuns t\u00eam sido usadas para tratar essas infec\u00e7\u00f5es, mas o C. auris tamb\u00e9m desenvolveu resist\u00eancia a elas.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 registro de resist\u00eancia \u00e0 az\u00f3licos, equinocandinas e at\u00e9 polienos, como a anfotericina B. Isso significa que o fungo pode ser resistente \u00e0s tr\u00eas principais classes de drogas dispon\u00edveis para tratar infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas sist\u00eamicas&#8221;, explicou o epidemiologista e microbiologista Alison Chaves, no Twitter.<br \/>\nAn\u00e1lises de DNA indicam tamb\u00e9m que genes de resist\u00eancia antif\u00fangica presentes no C. auris t\u00eam passado para outras esp\u00e9cies de fungo, como a Candida albicans (C. albicans), um dos principais causadores da candid\u00edase (doen\u00e7a comum que pode afetar a pele, as unhas e \u00f3rg\u00e3os genitais, e \u00e9 relativamente f\u00e1cil de tratar).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: Getty Imags via BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo o alerta da Anvisa, o fungo foi identificado em &#8220;amostra de ponta de cateter de paciente internado em UTI adulto em hospital do Estado da<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":29585,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-29584","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29584","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=29584"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29584\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=29584"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=29584"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=29584"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}