{"id":29672,"date":"2020-12-17T11:45:26","date_gmt":"2020-12-17T14:45:26","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=29672"},"modified":"2020-12-17T11:45:26","modified_gmt":"2020-12-17T14:45:26","slug":"cientistas-descobrem-proteina-no-cerebro-que-pode-ligar-alzheimer-aos-disturbios-do-sono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=29672","title":{"rendered":"Cientistas descobrem prote\u00edna no c\u00e9rebro que pode ligar Alzheimer aos dist\u00farbios do sono"},"content":{"rendered":"<p><em>Prote\u00edna produzida no c\u00e9rebro est\u00e1 ligada tanto ao surgimento da doen\u00e7a degenerativa quanto ao rel\u00f3gio biol\u00f3gico, sistema que interfere nos processos de descanso. Descoberta feita por americanos abre a possibilidade de desenvolvimento de novas a\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>Correio Braziliense<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos sintomas precoces da doen\u00e7a de Alzheimer, que se agrava com o tempo, s\u00e3o os dist\u00farbios do sono. Embora essa associa\u00e7\u00e3o esteja bem estabelecida, ainda n\u00e3o se sabe exatamente como ela se d\u00e1. Agora, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis, nos Estados Unidos, descobriram uma prote\u00edna que pode explicar parte do problema.<\/p>\n<p>Em um artigo publicado na revista Science Translational Medicine, os cientistas descrevem a descoberta de que uma prote\u00edna produzida no c\u00e9rebro, a YKL-40, relaciona-se tanto com o Alzheimer quanto com o ciclo circadiano. Enquanto genes do \u201crel\u00f3gio biol\u00f3gico\u201d regulam a produ\u00e7\u00e3o da prote\u00edna, ela est\u00e1 envolvida no processo de limpeza de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas que caracterizam a doen\u00e7a neurodegenerativa. Al\u00e9m disso, pacientes de Alzheimer com uma variante gen\u00e9tica que reduz os n\u00edveis da YKL-40 t\u00eam um decl\u00ednio cognitivo mais lento do que aqueles sem as muta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O ritmo de cada pessoa \u00e9 definido por um \u201crel\u00f3gio\u201d no c\u00e9rebro, acionado pelo ciclo diurno e noturno. Cada c\u00e9lula tamb\u00e9m mant\u00e9m o pr\u00f3prio rel\u00f3gio interno, vinculado ao principal. \u201cUma variedade surpreendentemente ampla de processos biol\u00f3gicos \u2014 da absor\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar \u00e0 temperatura corporal e \u00e0s respostas imunol\u00f3gicas e inflamat\u00f3rias \u2014 muda de acordo com a hora do dia\u201d, explica o neurologista Erik Musiek, principal autor do estudo.<\/p>\n<p>Embora a disfun\u00e7\u00e3o circadiana afete muitos aspectos da sa\u00fade, ela \u00e9 mais facilmente identificada nos dist\u00farbios do sono, como dificuldade em adormecer ou permanecer dormindo \u00e0 noite e o aumento da sonol\u00eancia durante o dia. Esses problemas s\u00e3o comuns em pessoas com Alzheimer, mesmo nos primeiros est\u00e1gios da doen\u00e7a, quando as placas amiloides come\u00e7aram a se formar, mas os sintomas cognitivos ainda n\u00e3o apareceram.<\/p>\n<p>Musiek, cujo trabalho se concentra na liga\u00e7\u00e3o entre o ritmo circadiano e doen\u00e7as neurodegenerativas, como o Alzheimer, conta que estava conduzindo uma triagem de genes regulados pelo ciclo circadiano quando um espec\u00edfico chamou a sua aten\u00e7\u00e3o. \u201cO gene que produz a prote\u00edna YKL-40 mostrou-se altamente regulado pelos mesmos genes respons\u00e1veis pelo rel\u00f3gio biol\u00f3gico. Isso foi realmente interessante porque ele j\u00e1 \u00e9 um biomarcador muito conhecido do Alzheimer\u201d, conta.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, terapias que tenham a prote\u00edna como alvo podem retardar o curso da doen\u00e7a. \u201cSe o seu ciclo circadiano estiver desregulado por anos e anos \u2014 voc\u00ea rotineiramente sofre de sono interrompido \u00e0 noite e cochila durante o dia, por exemplo \u2014, o efeito cumulativo da desregula\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica pode influenciar as vias inflamat\u00f3rias, de modo que voc\u00ea acumule mais placas amiloides\u201d, diz Musiek. O ac\u00famulo desses lip\u00eddios no c\u00e9rebro \u00e9 uma das primeiras marcas fisiol\u00f3gicas da doen\u00e7a de Alzheimer. \u201cEsperamos que uma melhor compreens\u00e3o de como o rel\u00f3gio circadiano afeta a prote\u00edna YKL-40 possa levar a uma nova estrat\u00e9gia para reduzir a amiloide no c\u00e9rebro.\u201d<\/p>\n<p><strong>Inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica<\/strong><\/p>\n<p>Musiek relata que, h\u00e1 mais ou menos uma d\u00e9cada, uma equipe do Departamento de Neurologia da Universidade de Washington descobriu que altos n\u00edveis da prote\u00edna YKL-40 no c\u00e9rebro \u2014 detectados no fluido espinhal, que carrega a \u201csujeira\u201d retirada do \u00f3rg\u00e3o \u2014 s\u00e3o um sinal de Alzheimer. Pesquisas posteriores indicaram que a quantidade da prote\u00edna aumenta tanto com o envelhecimento natural quanto com a progress\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O pesquisador e um dos coautores do artigo, Brian V. Lananna, come\u00e7aram a explorar a conex\u00e3o entre o rel\u00f3gio circadiano, a YKL-40 e o Alzheimer. Como a doen\u00e7a \u00e9 caracterizada por uma inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, os cientistas investigaram como a presen\u00e7a ou a aus\u00eancia de um gene circadiano chave afeta as c\u00e9lulas cerebrais n\u00e3o neuronais em condi\u00e7\u00f5es inflamat\u00f3rias. Eles descobriram que o rel\u00f3gio biol\u00f3gico dita a quantidade de YKL-40 produzida.<\/p>\n<p>Em estudos com camundongos com Alzheimer, os cientistas notaram que aqueles sem o gene produtor da prote\u00edna tinham metade da quantidade de placas amiloides, comparado aos demais. Esse agrupamento lip\u00eddico geralmente \u00e9 cercado por c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico chamadas microglia, que ajudam a evitar que as placas se espalhem. Nos ratos sem YKL-40, a microglia era mais abundante e mais preparada para consumir e remover a amiloide.<\/p>\n<p>\u201cA prote\u00edna YKL-4, provavelmente, serve como um modulador do n\u00edvel de ativa\u00e7\u00e3o microglial no c\u00e9rebro\u201d, diz Musiek. \u201cQuando voc\u00ea se livra da prote\u00edna, parece que a microglia \u00e9 mais ativada para consumir a amiloide. \u00c9 uma coisa sutil, um ajuste no sistema, mas parece ser o suficiente para reduzir substancialmente a carga amiloide total.\u201d<\/p>\n<p>A descoberta condiz com estudos realizados em humanos. Outro coautor do artigo, Carlos Cruchaga analisou dados gen\u00e9ticos de 778 participantes de pesquisas sobre envelhecimento e dem\u00eancia. Cerca de um quarto (26%) deles carregavam uma variante gen\u00e9tica que reduz os n\u00edveis de YKL-40. As habilidades cognitivas diminu\u00edram 16% mais lentamente nas pessoas com a variante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: Brian Lananna\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prote\u00edna produzida no c\u00e9rebro est\u00e1 ligada tanto ao surgimento da doen\u00e7a degenerativa quanto ao rel\u00f3gio biol\u00f3gico, sistema que interfere nos processos de descanso. 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