{"id":29744,"date":"2020-12-29T11:03:58","date_gmt":"2020-12-29T14:03:58","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=29744"},"modified":"2020-12-29T11:03:58","modified_gmt":"2020-12-29T14:03:58","slug":"ano-teve-ao-menos-420-estudos-por-dia-sobre-covid-ciencia-mostra-como-foi-a-luta-contra-a-pandemia-em-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=29744","title":{"rendered":"Ano teve ao menos 420 estudos por dia sobre Covid: ci\u00eancia mostra como foi a luta contra a pandemia em 2020"},"content":{"rendered":"<p><em>Levantamentos apontam de cerca de 100 mil a at\u00e9 mais de 200 mil pesquisas realizadas. G1 reuniu 10 temas para relembrar o que cientistas de todo o mundo descobriram sobre o novo coronav\u00edrus (Sars-CoV-2)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>G1<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quantos estudos foram publicados sobre a Covid-19 em 2020? Talvez n\u00e3o seja poss\u00edvel saber com exatid\u00e3o, mas \u00e9 fato que o caminho percorrido por milhares de cientistas muitas vezes an\u00f4nimos mostra as principais frentes de batalha contra a pandemia.<\/p>\n<p>O banco de dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) reuniu, at\u00e9 20 de dezembro, 148.919 artigos, de todo o mundo, sobre a doen\u00e7a. Nem todos s\u00e3o estudos publicados em revistas cient\u00edficas; cerca de 14 mil \u2013 pouco menos de 10% \u2013 aparecem como vers\u00e3o pr\u00e9via (pr\u00e9-prints), ainda n\u00e3o revisadas por outros cientistas.<\/p>\n<p>Se distribu\u00eddos ao longo deste ano, o n\u00famero significa uma m\u00e9dia de quase 420 artigos divulgadas por dia.<br \/>\nUma outra base de dados, a Dimensions, de uma empresa sediada em Londres, aponta um n\u00famero ainda maior. At\u00e9 a mesma data, foram catalogados 239.192 artigos sobre o tema, feitos por 18,5 mil organiza\u00e7\u00f5es em 194 pa\u00edses. Cerca de 15% s\u00e3o pr\u00e9vias. As universidades que aparecem com mais publica\u00e7\u00f5es s\u00e3o Harvard, Oxford e a Universidade de Toronto, no Canad\u00e1.<\/p>\n<p>Um terceiro levantamento, da empresa americana Primer, aponta, tamb\u00e9m at\u00e9 20 de dezembro, 92,5 mil pesquisas relacionadas \u00e0 Covid. Os temas com mais artigos s\u00e3o cuidados com pacientes; mortalidade e fatores de risco; e vacinas e tratamentos. Cada um tem mais de 10 mil estudos catalogados.<\/p>\n<p>Cientistas de todas as \u00e1reas se dedicaram a pesquisas sobre a pandemia neste ano. De sequenciamento gen\u00e9tico a vacinas, o G1 reuniu 10 temas para relembrar o que a ci\u00eancia e a sociedade aprenderam sobre a Covid-19 em 2020.<\/p>\n<p>Veja abaixo:<\/p>\n<ul>\n<li>Sequenciamento gen\u00e9tico<\/li>\n<li>Uso de m\u00e1scaras e distanciamento social\/isolamento<\/li>\n<li>Sa\u00fade mental<\/li>\n<li>Transmiss\u00e3o<\/li>\n<li>Grupos de risco<\/li>\n<li>Medicamentos<\/li>\n<li>Manejo de pacientes<\/li>\n<li>Sequelas de longo prazo<\/li>\n<li>Imunidade<\/li>\n<li>Vacinas<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>1) Sequenciamento gen\u00e9tico<\/strong><\/p>\n<p>No dia 10 de janeiro (no hor\u00e1rio de Bras\u00edlia; 11 de janeiro em Pequim), cientistas da China publicaram o primeiro rascunho do c\u00f3digo gen\u00e9tico do novo coronav\u00edrus (Sars-CoV-2). O pa\u00eds j\u00e1 tinha registrado a primeira morte pela doen\u00e7a e j\u00e1 via casos desde, pelo menos, dezembro de 2019.<\/p>\n<p>Com o genoma do v\u00edrus divulgado, cientistas na Alemanha puderam anunciar, em 16 de janeiro, o primeiro teste do tipo PCR para diagnosticar o novo coronav\u00edrus. Considerado &#8220;padr\u00e3o ouro&#8221; para o diagn\u00f3stico, esse tipo de teste \u00e9 capaz de identificar o c\u00f3digo gen\u00e9tico do v\u00edrus em uma amostra.<\/p>\n<p>No Brasil, o primeiro sequenciamento foi feito no fim de fevereiro, apenas dois dias depois que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade confirmou o primeiro caso no pa\u00eds. O tempo foi um recorde.<\/p>\n<p>Meses depois, as pesquisadoras, junto com outros 57 cientistas brasileiros e 19 estrangeiros, publicaram 427 c\u00f3digos gen\u00e9ticos do novo coronav\u00edrus no Brasil na revista cient\u00edfica &#8220;Science&#8221;, uma das mais importantes do mundo.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o sequenciamento gen\u00e9tico do v\u00edrus permitiu identificar muta\u00e7\u00f5es e reinfec\u00e7\u00f5es pela Covid-19 \u2013 essenciais para entender melhor a efic\u00e1cia das vacinas contra o v\u00edrus e a dura\u00e7\u00e3o da resposta imune contra ele. No fim de dezembro, uma nova variante encontrada no Reino Unido, levando a bloqueios dentro e fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>2) Uso de m\u00e1scaras e distanciamento social<\/strong><\/p>\n<p>Ainda no in\u00edcio da pandemia, no final de fevereiro, a OMS recomendava que apenas pessoas que estivessem infectadas usassem m\u00e1scaras. Uma das preocupa\u00e7\u00f5es da entidade era que os acess\u00f3rios faltassem para profissionais de sa\u00fade na linha de frente do combate \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A higiene frequente das m\u00e3os com \u00e1gua e sab\u00e3o ou \u00e1lcool tamb\u00e9m foi recomendada por v\u00e1rios especialistas para combater o v\u00edrus.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de abril, o posicionamento da OMS mudou: a entidade passou a avaliar que as m\u00e1scaras podiam ser uma estrat\u00e9gia de combate \u00e0 pandemia.<br \/>\nNa mesma \u00e9poca, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade tamb\u00e9m mudou as orienta\u00e7\u00f5es e passou a recomendar o uso de m\u00e1scaras para toda a popula\u00e7\u00e3o, e anunciou recomenda\u00e7\u00f5es para a fabrica\u00e7\u00e3o delas. Dois meses depois, a OMS fez o mesmo, e recomendou que todos as usassem em locais onde o distanciamento social n\u00e3o fosse poss\u00edvel.<\/p>\n<p>A entidade refor\u00e7ou, entretanto, que apenas o uso de m\u00e1scaras n\u00e3o era o bastante para conter o novo coronav\u00edrus \u2013 e que o pr\u00f3prio distanciamento continuava sendo uma estrat\u00e9gia importante no combate \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p>Esses tipos de estrat\u00e9gias, as chamadas n\u00e3o farmacol\u00f3gicas, foram estudadas em v\u00e1rias pesquisas: as m\u00e1scaras com v\u00e1lvulas, por exemplo, n\u00e3o foram recomendadas, e nem o protetor facial (conhecido como &#8220;face shield&#8221;) usado de forma isolada (sem a m\u00e1scara junto).<\/p>\n<p><strong>3) Sa\u00fade mental<\/strong><\/p>\n<p>A Covid-19 e as medidas para combat\u00ea-la, como o isolamento social, tamb\u00e9m trouxeram consequ\u00eancias para o bem-estar psicol\u00f3gico da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em maio, a OMS alertou, em um relat\u00f3rio, sobre o perigo de uma crise global em sa\u00fade mental por causa da pandemia. A organiza\u00e7\u00e3o destacou que crian\u00e7as e jovens isolados de amigos e da escola e profissionais de sa\u00fade eram os grupos mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o se confirmou ao longo do ano. No fim do mesmo m\u00eas, uma pesquisa da Fiocruz, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) concluiu que os brasileiros tiveram renda afetada, alta de depress\u00e3o e mais consumo de \u00e1lcool e tabaco na pandemia.<\/p>\n<p>Em junho, um estudo feito pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, ouviu 3,6 mil pessoas e constatou que 65% dos entrevistados tiveram uma piora da sa\u00fade mental com a pandemia.<\/p>\n<p>Em agosto, uma pesquisa com cerca de 1,5 mil pessoas feita pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) apontou piora nos sintomas de ansiedade e depress\u00e3o entre os entrevistados.<\/p>\n<p>Em novembro, um estudo feito pela Fiocruz em parceria com o Hospital das Cl\u00ednicas de Porto Alegre e a Universidade de Val\u00eancia, na Espanha, mostrou que quase metade dos trabalhadores essenciais brasileiros sofreu com ansiedade e depress\u00e3o na pandemia<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o se restringiu ao Brasil: uma pesquisa feita nos Estados Unidos, publicada no in\u00edcio de setembro, apontou que sintomas de depress\u00e3o aumentaram tr\u00eas vezes no pa\u00eds durante a pandemia.<\/p>\n<p>Com o confinamento, tamb\u00e9m aumentou, em todo o mundo, a viol\u00eancia contra a mulher: dados da ONU Mulheres divulgados no fim de setembro apontaram que o confinamento levou a mais den\u00fancias ou liga\u00e7\u00f5es para as autoridades por viol\u00eancia dom\u00e9stica: os \u00edndices subiram 30% no Chipre, 33% em Singapura, 30% na Fran\u00e7a e 25% na Argentina, por exemplo.<\/p>\n<p>Um segundo levantamento apontou, ainda, que o Brasil foi um dos pa\u00edses onde a pandemia mais afetou a sa\u00fade psicol\u00f3gica de meninas e de jovens mulheres. Para responder ao problema, grupos se uniram ao redor do pa\u00eds para ajudar as mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>4) Transmiss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em 14 de janeiro, a lideran\u00e7a t\u00e9cnica da OMS anunciou que era poss\u00edvel que a transmiss\u00e3o da Covid-19 entre humanos tivesse ocorrido nos primeiros casos registrados da doen\u00e7a. Relat\u00f3rios semelhantes foram feitos nas semanas seguintes.<\/p>\n<p>Ao longo do ano, a entidade refor\u00e7ou que mesmo pessoas sem sintomas da doen\u00e7a podiam transmiti-la \u2013 e que, por isso, o distanciamento social e o uso de m\u00e1scaras eram recomendados mesmo para quem n\u00e3o estivesse doente.<\/p>\n<p>Uma das principais controv\u00e9rsias sobre a transmiss\u00e3o do novo coronav\u00edrus foi se ele podia ou n\u00e3o ser disseminado pelo ar.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 importante porque as got\u00edculas, que foram reconhecidas desde o in\u00edcio como uma forma de cont\u00e1gio pela doen\u00e7a, viajam pelo ar, mas caem no solo depois de um a dois metros. Mas os aeross\u00f3is podem permanecer suspensos no ar e infectar por mais tempo.<\/p>\n<p>A possibilidade de transmiss\u00e3o pelo ar n\u00e3o foi imediatamente reconhecida pela OMS \u2013 apesar de ter sido apontada, no in\u00edcio de maio, por um estudo chin\u00eas.<\/p>\n<p>Cerca de dois meses depois, um grupo de 239 cientistas, incluindo um brasileiro, fez o mesmo alerta \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o. Foi s\u00f3 ent\u00e3o que a OMS reconheceu o &#8220;surgimento de evid\u00eancias&#8221; sobre a transmiss\u00e3o da Covid-19 pelo ar e disse que essa possibilidade &#8220;n\u00e3o podia ser descartada&#8221;.<\/p>\n<p>No fim de julho, uma pesquisa feita por cientistas de Harvard apontou que 59% dos casos de Covid-19 em um cruzeiro que ficou em quarentena no Jap\u00e3o foram transmitidos pelo ar.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de outubro, o Centro de Controle de Doen\u00e7as dos Estados Unidos (CDC, na sigla em ingl\u00eas) tamb\u00e9m atualizou as recomenda\u00e7\u00f5es para incluir a transmiss\u00e3o pelo ar como poss\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>5) Grupos de risco<\/strong><\/p>\n<p>Ainda no in\u00edcio da pandemia, cientistas e equipes de sa\u00fade na linha de frente perceberam que a Covid-19 n\u00e3o afetava a todos do mesmo modo: homens, por exemplo, se infectam mais e tamb\u00e9m morrem mais pela doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O porqu\u00ea por tr\u00e1s disso ainda \u00e9 um mist\u00e9rio para a ci\u00eancia, mas j\u00e1 h\u00e1 algumas pistas \u2013 que v\u00e3o desde fatores biol\u00f3gicos at\u00e9 comportamentais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a idade, a obesidade e doen\u00e7as como diabetes ou do sistema imune tamb\u00e9m passaram a ser considerados fatores de risco. Mais recentemente, o Centro de Controle de Doen\u00e7as dos Estados Unidos (CDC, na sigla em ingl\u00eas) adicionou a gravidez \u00e0 lista de condi\u00e7\u00f5es que aumentam o risco de um caso grave de Covid-19.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia tamb\u00e9m percebeu que as crian\u00e7as s\u00e3o pouco afetadas pela Covid-19 \u2013 mas podem se infectar e desenvolver uma forma grave da doen\u00e7a, que pode levar \u00e0 morte.<\/p>\n<p><strong>6) Medicamentos<\/strong><\/p>\n<p>A ci\u00eancia vai terminar 2020 sem descobrir um medicamento eficaz contra a Covid-19.<\/p>\n<p>Houve alguns candidatos:<\/p>\n<ul>\n<li>O antiviral remdesivir \u2013 que, apesar de ter recebido aprova\u00e7\u00e3o plena nos Estados Unidos, n\u00e3o provou ser eficaz em ensaios controlados da OMS. Ele n\u00e3o \u00e9 comercializado no Brasil, e s\u00f3 recebeu aprova\u00e7\u00e3o na pandemia. Antes, era experimental e n\u00e3o era usado para tratar nenhuma doen\u00e7a.<\/li>\n<li>A cloroquina e a hidroxicloroquina, usadas para tratar doen\u00e7as autoimunes e alguns tipos de mal\u00e1ria. No in\u00edcio da pandemia, um estudo, depois retirado do ar, apontou que a hidroxicloroquina poderia ser eficaz. V\u00e1rias outras pesquisas publicadas depois, entretanto, refutaram essa possibilidade \u2013 para casos leves, moderados e graves da Covid-19. Pelo contr\u00e1rio: a hidroxicloroquina foi apontada como um fator que piorava o quadro da doen\u00e7a. A subst\u00e2ncia chegou a ser testada pela OMS, mas os ensaios foram suspensos definitvamente, porque ela n\u00e3o foi eficaz. A mesma constata\u00e7\u00e3o foi feita por Oxford.<\/li>\n<li>A dexametasona se mostrou promissora, mas apenas para pacientes graves. Como \u00e9 um corticoide, o medicamento n\u00e3o mata o v\u00edrus, e sim pode ajudar a reduzir a inflama\u00e7\u00e3o causada pela Covid-19 nos vasos sangu\u00edneos.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>7) Manejo de pacientes<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de nenhum rem\u00e9dio ter sido comprovadamente eficaz contra a Covid-19, profissionais de sa\u00fade aprenderam algumas t\u00e9cnicas que podem ajudar pacientes internados com a doen\u00e7a a se recuperarem:<\/p>\n<ul>\n<li>deitar a pessoa de bru\u00e7os, para facilitar a respira\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>usar anticoagulantes, para evitar o excesso de coagula\u00e7\u00e3o causada pelo v\u00edrus;<\/li>\n<li>n\u00e3o intubar os pacientes precocemente. Em vez disso, \u00e9 poss\u00edvel usar oxigena\u00e7\u00e3o n\u00e3o invasiva em alguns casos.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>8) Sequelas de longo prazo<\/strong><\/p>\n<p>As sequelas de longo prazo que a Covid-19 deixa ainda n\u00e3o s\u00e3o totalmente entendidas ou conhecidas pela medicina. At\u00e9 agora, o que se sabe \u00e9 que elas existem \u2013 e v\u00e3o desde a respira\u00e7\u00e3o comprometida at\u00e9 les\u00f5es no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No come\u00e7o de julho, a revista cient\u00edfica Jama publicou uma pesquisa com 143 recuperados de Covid-19 na It\u00e1lia. 87,4% deles reclamaram de pelo menos algum problema. Entre os sintomas relatados, estavam fadiga (53,1%), falta de ar (43,4%), dor nas juntas (27.3%) e dor no peito (21,7%).<\/p>\n<p>Em outubro, um estudo preliminar feito pela Unicamp mostrou que os sintomas persistiram em 75% dos pacientes com quadros leves de Covid-19.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a tamb\u00e9m pode afetar o c\u00e9rebro: um estudo feito por cientistas do Imperial College de Londres apontou que os piores casos da infec\u00e7\u00e3o ligados ao decl\u00ednio mental equivalem a um envelhecimento cerebral de 10 anos.<\/p>\n<p>Covid afeta o c\u00e9rebro e pode causar altera\u00e7\u00f5es mesmo em pacientes leves, aponta estudo brasileiro<br \/>\nTamb\u00e9m existe ao menos um estudo, ainda n\u00e3o publicado, de pacientes que, mesmo tendo se recuperado da Covid-19, ativaram c\u00e9lulas de defesa que passaram a atacar o pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p>No Brasil, uma m\u00e9dica criou um perfil na rede social Instagram que serve como grupo de apoio a pessoas que sofrem com as sequelas da Covid-19.<\/p>\n<p><strong>9) Imunidade<\/strong><\/p>\n<p>A imunidade contra a Covid-19 tamb\u00e9m gera mais perguntas que respostas. A ci\u00eancia n\u00e3o sabe, por exemplo, quanto tempo dura a imunidade de quem j\u00e1 teve a doen\u00e7a. Estudos feitos ao longo do ano sugerem que os anticorpos que o corpo cria para se defender da infec\u00e7\u00e3o desaparecem com o passar do tempo. (Mas os cientistas n\u00e3o sabem quanto tempo).<\/p>\n<p>Ainda assim, as pesquisas tamb\u00e9m apontaram que a resposta imune \u2013 aquela do sistema de defesa do corpo \u2013 podem ser duradouras. Isso porque ela tamb\u00e9m envolve as c\u00e9lulas T \u2013 um tipo de c\u00e9lula de defesa que tem, entre suas fun\u00e7\u00f5es, &#8220;lembrar&#8221; de infec\u00e7\u00f5es anteriores por um longo tempo.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, casos de reinfec\u00e7\u00e3o pela Covid-19 j\u00e1 foram confirmados pelo mundo e no Brasil. Em alguns casos, a segunda infec\u00e7\u00e3o foi mais grave do que a primeira; em outros, a primeira foi pior. As reinfec\u00e7\u00f5es ainda est\u00e3o sendo estudadas pela ci\u00eancia \u2013 e, vale lembrar, &#8220;raras&#8221; se comparadas com o total de casos no mundo.<\/p>\n<p>Outro ponto que ainda n\u00e3o \u00e9 totalmente entendido pelos cientistas \u00e9 por que algumas pessoas n\u00e3o desenvolvem nenhum sintoma da doen\u00e7a, enquanto outras t\u00eam quadros graves ou morrem. Al\u00e9m dos fatores de risco como as doen\u00e7as preexistentes e a idade, fatores gen\u00e9ticos tamb\u00e9m parecem estar envolvidos. Esses mesmos fatores podem ajudar a desvendar tratamentos para a Covid.<\/p>\n<p><strong>10) Vacinas<\/strong><\/p>\n<p>A ci\u00eancia foi capaz de identificar, nomear, estudar e entender um v\u00edrus novo e desenvolver v\u00e1rias vacinas contra ele em menos de um ano, um tempo recorde na hist\u00f3ria humana.<\/p>\n<p>A primeira delas foi aprovada na R\u00fassia, em agosto, e j\u00e1 foi aplicada em centenas de milhares de pessoas, segundo o governo russo.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, outra candidata tamb\u00e9m foi aprovada e j\u00e1 come\u00e7ou a ser aplicada no Reino Unido; nos Estados Unidos e no Canad\u00e1; e na Ar\u00e1bia Saudita. Na Uni\u00e3o Europeia, 25 dos 27 pa\u00edses j\u00e1 come\u00e7aram a vacina\u00e7\u00e3o; ao redor do mundo, s\u00e3o ao menos 42 que j\u00e1 iniciaram a imuniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Brasil tamb\u00e9m planeja a vacina\u00e7\u00e3o, mas nenhum imunizante foi aprovado pela Anvisa ainda. Universidades brasileiras tentam desenvolver uma vacina nacional contra o v\u00edrus. Fora do pa\u00eds, ao menos dois brasileiros trabalham na vacina de Oxford.<\/p>\n<p>Ainda resta bastante a saber sobre os imunizantes: segundo dados da OMS, 14 vacinas est\u00e3o na fase 3, a \u00faltima, de estudos em humanos. A maioria, entretanto, n\u00e3o publicou dados de seguran\u00e7a e efic\u00e1cia dessa fase \u2013 quando os testes s\u00e3o feitos em larga escala.<\/p>\n<p>Algumas d\u00favidas ficar\u00e3o sem resposta em 2020: por quanto tempo as vacinas v\u00e3o garantir imunidade contra a Covid-19? Ser\u00e3o efetivas no &#8220;mundo real&#8221;, fora dos ensaios controlados? Ter\u00e3o algum efeito colateral raro, n\u00e3o vistos nos estudos?<\/p>\n<p>Esperamos aprender no ano que vem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: Menahem Kahana \/ AFP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamentos apontam de cerca de 100 mil a at\u00e9 mais de 200 mil pesquisas realizadas. 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