{"id":29836,"date":"2021-01-09T11:29:41","date_gmt":"2021-01-09T14:29:41","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=29836"},"modified":"2021-01-09T11:29:41","modified_gmt":"2021-01-09T14:29:41","slug":"estudo-aponta-que-covid-leve-pode-deixar-sequelas-no-pulmao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=29836","title":{"rendered":"Estudo aponta que covid leve pode deixar sequelas no pulm\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Cicatrizes nos pulm\u00f5es e falta de f\u00f4lego para caminhar s\u00e3o detectadas em pessoas que se curaram da infec\u00e7\u00e3o pelo Sars-CoV-2 sem serem internadas. Resultado de estudo irland\u00eas sinaliza a import\u00e2ncia de monitoramento a longo prazo de todos os ex-pacientes<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <strong>Correio Braziliense<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fadiga e dificuldade para respirar s\u00e3o sequelas relativamente comuns em pacientes que se recuperaram da covid-19, exigindo, muitas vezes, um longo per\u00edodo de reabilita\u00e7\u00e3o. At\u00e9 agora, n\u00e3o se sabe se essas complica\u00e7\u00f5es est\u00e3o associadas \u00e0 gravidade da doen\u00e7a, com pessoas que precisaram de interna\u00e7\u00e3o devido \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo Sars-CoV-2 sendo mais propensas a apresentarem esse tipo de complica\u00e7\u00e3o. Um estudo irland\u00eas sugere que as sequelas pulmonares, por\u00e9m, independem da severidade da infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na pesquisa, os autores acompanharam 153 pacientes recuperados da covid-19 por at\u00e9 75 dias ap\u00f3s o diagn\u00f3stico. Essas pessoas sofreram graus variados da doen\u00e7a. \u201cConforme esper\u00e1vamos, problemas como falta de ar e cansa\u00e7o foram comuns depois da covid-19. Por\u00e9m, os sintomas n\u00e3o pareceram estar relacionados \u00e0 gravidade da infec\u00e7\u00e3o inicial\u201d, diz Liam Townsend, pesquisador do Departamento de Doen\u00e7as Infecciosas do Hospital de St. James.<\/p>\n<p>Para avaliar a rela\u00e7\u00e3o entre sequelas e severidade da covid-19, os autores dividiram os pacientes em grupos: sem necessidade de interna\u00e7\u00e3o, internados e internados na unidade de terapia intensiva (UTI), sendo esses \u00faltimos os mais graves. Quase metade dos 153 participantes do estudo foi hospitalizada na fase aguda da infec\u00e7\u00e3o. No per\u00edodo, quando j\u00e1 estavam livres da doen\u00e7a, foram submetidos a exames diversos, incluindo de imagem e testes que avaliaram a capacidade cardiorrespirat\u00f3ria.<\/p>\n<p>A equipe de Townsend comparou, ent\u00e3o, a gravidade inicial da covid-19 com o resultado dos exames de radiografia tor\u00e1cica e o desempenho em testes de caminhada (durante seis minutos, os volunt\u00e1rios andaram em um ritmo normal, sendo monitorados), al\u00e9m dos relatos de percep\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7o. Os m\u00e9dicos perguntaram se os pacientes se sentiram cansados durante a caminhada e se consideravam que j\u00e1 estavam plenamente recuperados. As respostas foram classificadas em escalas.<\/p>\n<p>Nas radiografias do t\u00f3rax, os pesquisadores investigaram a presen\u00e7a de fibrose \u2014 cicatrizes pulmonares \u2014 e sinais de infec\u00e7\u00e3o persistente. Naqueles que apresentaram anomalias, foi feita uma tomografia computacional. Al\u00e9m disso, todos fizeram exame de sangue para verificar a prote\u00edna C reativa, um marcador de inflama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Inesperado<\/strong><\/p>\n<p>Townsend afirma que os resultados o surpreenderam, porque esperava um n\u00famero alto de radiografias com fibrose, o que n\u00e3o aconteceu: somente 4% dos pacientes apresentaram esse problema na tomografia computadorizada. Mas o que mais chamou sua aten\u00e7\u00e3o foi que as sequelas \u2014 inflama\u00e7\u00e3o, cicatriz, infec\u00e7\u00e3o persistente e desempenho ruim no teste de caminhada \u2014 n\u00e3o estavam relacionadas ao grau de severidade inicial da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>De acordo com Townsend, 62% dos pacientes sentiram que n\u00e3o haviam se recuperado totalmente, enquanto 47% afirmaram ter fadiga. Aqueles que se esfor\u00e7aram mais em exerc\u00edcios moderados tamb\u00e9m demonstraram percep\u00e7\u00e3o maior de sa\u00fade fr\u00e1gil. Por\u00e9m, n\u00e3o houve associa\u00e7\u00e3o estat\u00edstica entre a gravidade da covid-19 e essas sequelas \u2014 as complica\u00e7\u00f5es tardias foram relatadas em pacientes de todos os grupos observados.<\/p>\n<p>A \u00fanica associa\u00e7\u00e3o foi entre o tempo de interna\u00e7\u00e3o e o desempenho no teste de caminhada: quanto maior tempo de hospitaliza\u00e7\u00e3o, menor a dist\u00e2ncia percorrida em seis minutos. Segundo Towsand, os resultados do estudo t\u00eam implica\u00e7\u00f5es para o tratamento cl\u00ednico de pessoas que se recuperaram da infec\u00e7\u00e3o por Sars-CoV-2. \u201cEles demonstram a import\u00e2ncia de acompanhar todos os pacientes que foram diagnosticados com a covid-19, independentemente da gravidade da infec\u00e7\u00e3o inicial. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever quem ter\u00e1 sintomas cont\u00ednuos\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Readmiss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u201cOs casos de covid-19 diminu\u00edram e, depois, ressurgiram em muitos lugares. Assim, \u00e9 crucial que entendamos o curso da p\u00f3s-hospitaliza\u00e7\u00e3o e os fatores de risco para uma futura reinterna\u00e7\u00e3o\u201d, observa Anuradha Lala, pesquisadora do Hospital de Mount Sinai, em Nova York, e autora de um estudo publicado, em dezembro, sobre a readmiss\u00e3o hospitalar de ex-pacientes da covid-19 que, depois, sofreram complica\u00e7\u00f5es pulmonares. \u201c\u00c0 medida que avan\u00e7amos para uma fase em que a covid-19 n\u00e3o \u00e9 mais uma doen\u00e7a nova, devemos focar nossa aten\u00e7\u00e3o para a fase p\u00f3s-aguda para entender como manter os pacientes bem e fora do hospital\u201d, destaca.<\/p>\n<p>No estudo norte-americano, dos quase 2,9 mil pacientes de covid-19 que receberam alta, mais de 100 (3,6%) retornaram para atendimento de emerg\u00eancia, com queixas pulmonares. Assim como no trabalho irland\u00eas, n\u00e3o houve associa\u00e7\u00e3o entre gravidade da infec\u00e7\u00e3o inicial e aparecimento de sequelas. Ao contr\u00e1rio, a maior parte das pessoas que voltaram ao hospital queixando-se de falta de ar e cansa\u00e7o n\u00e3o havia necessitado de cuidados intensivos, quando internadas. De acordo com Lala, s\u00e3o necess\u00e1rias mais pesquisas de longo prazo para predizer quais ex-pacientes t\u00eam risco maior de sequelas p\u00f3s-covid.<\/p>\n<p><strong>Prazo de 72 horas para usar o plasma<\/strong><\/p>\n<p>Um estudo argentino publicado na revista The New England Journal of Medicine mostra que a administra\u00e7\u00e3o de plasma de convalescente em pacientes com a covid-19 nas primeiras 72 horas da doen\u00e7a reduz pela metade o risco de quadro cr\u00edtico. \u201c\u00c9 uma alternativa se algu\u00e9m com mais de 65 anos se infectar. Mas \u00e9 como um seguro-sa\u00fade, voc\u00ea tem que receber o tratamento quando ainda est\u00e1 saud\u00e1vel, porque n\u00e3o h\u00e1 tempo a esperar e ver o que acontece: se voc\u00ea est\u00e1 mal, o plasma \u00e9 in\u00fatil\u201d, diz o l\u00edder da pesquisa, o infectologista Fernando Polack, da Funda\u00e7\u00e3o Infant.<\/p>\n<p>Com base nos resultados, \u201co estudo diz que, em todos os pacientes, a incid\u00eancia da doen\u00e7a grave foi cortada pela metade\u201d, diz Polack. \u201cTemos certeza de que o plasma \u00e9 \u00fatil nos primeiros tr\u00eas dias de doen\u00e7a, ou seja, voc\u00ea tem (um prazo de) 72 horas de sintomas para receb\u00ea-lo\u201d, afirma o cientista \u00e0 R\u00e1dio Con Vos.<\/p>\n<p>Polack explicou que os resultados dependem da quantidade de anticorpos presentes no plasma. \u201cOs melhores provedores s\u00e3o os pacientes que foram hospitalizados, porque eles t\u00eam mais anticorpos, al\u00e9m das pessoas que foram vacinadas\u201d, diz ele, definindo essas \u00faltimas como \u201cdoadores privilegiados em potencial\u201d. \u201cEm uma sociedade desamparada contra o coronav\u00edrus, ser vacinado significa estar protegido e tamb\u00e9m ter a possibilidade de doar plasma, o que significa seis tratamentos para seis idosos para cada pessoa que doa duas vezes no m\u00eas\u201d, ilustra.<\/p>\n<p>O estudo envolveu 200 doadores de plasma e 120 pacientes volunt\u00e1rios, metade tratada com placebo, bem como mais de 200 profissionais da sa\u00fade. No entanto, a Argentina n\u00e3o tem, atualmente, capacidade para aplicar esse tratamento em seu sistema de sa\u00fade. \u201cHoje, n\u00e3o existe, \u00e9 algo em constru\u00e7\u00e3o dentro dos sistemas p\u00fablico e privado. \u00c9 preciso gerar um arsenal (de plasma), que ser\u00e1 uma ponte at\u00e9 que haja uma vacina para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o\u201d, explica Polack.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: AFP \/ RODGER BOSCH<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cicatrizes nos pulm\u00f5es e falta de f\u00f4lego para caminhar s\u00e3o detectadas em pessoas que se curaram da infec\u00e7\u00e3o pelo Sars-CoV-2 sem serem internadas. 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