{"id":29973,"date":"2021-01-22T14:13:19","date_gmt":"2021-01-22T17:13:19","guid":{"rendered":"https:\/\/anadem.org.br\/site\/?p=29973"},"modified":"2021-01-22T14:13:19","modified_gmt":"2021-01-22T17:13:19","slug":"coronavirus-variante-achada-no-brasil-poderia-driblar-anticorpos-e-reinfectar-quem-ja-teve-covid-19-diz-pesquisador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/?p=29973","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus: variante achada no Brasil poderia &#8216;driblar&#8217; anticorpos e reinfectar quem j\u00e1 teve covid-19, diz pesquisador"},"content":{"rendered":"<p><em>Mais estudos s\u00e3o necess\u00e1rios para mensurar impacto de neutraliza\u00e7\u00e3o reduzida por anticorpos em nossa imunidade, diz Tulio de Oliveira<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por<strong> BBC<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um novo estudo de cientistas da \u00c1frica do Sul, ainda n\u00e3o revisado por pares, d\u00e1 maior respaldo \u00e0s evid\u00eancias crescentes de que muta\u00e7\u00f5es compartilhadas pelas variantes do coronav\u00edrus detectadas no Brasil e na \u00c1frica do Sul podem n\u00e3o ser neutralizadas por anticorpos produzidos pelo organismo de quem j\u00e1 foi infectado pelo SARS-CoV-2, o v\u00edrus que causa a covid-19.<\/p>\n<p>Isso abre a possibilidade de que pessoas que tiveram doen\u00e7a sejam infectadas novamente se expostas a essas variantes, diz \u00e0 BBC News Brasil Tulio de Oliveira, respons\u00e1vel pelo estudo e diretor do laborat\u00f3rio Krisp na Escola de Medicina Nelson Mandela, na Universidade KwaZulu-Natal, em Durban, na \u00c1frica do Sul, onde vive desde 1997.<\/p>\n<p>No entanto, mais estudos s\u00e3o necess\u00e1rios para mensurar o impacto dessa &#8216;neutraliza\u00e7\u00e3o reduzida&#8217; dos anticorpos em nossa imunidade, ressalva ele.<\/p>\n<p>Segundo Oliveira, testes em laborat\u00f3rio a partir do &#8220;v\u00edrus vivo&#8221; da cepa achada na \u00c1frica do Sul (501Y.V2) contendo muta\u00e7\u00f5es como E484K e N501Y \u2014 presentes tamb\u00e9m na variante do Brasil, mas n\u00e3o na do Reino Unido \u2014 mostraram &#8220;zero ou muito baixa neutraliza\u00e7\u00e3o&#8221; do pat\u00f3geno pelos anticorpos.<\/p>\n<p>Oliveira chefiou a equipe que descobriu a nova variante do coronav\u00edrus na \u00c1frica do Sul e compartilhou os dados com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o que, por sua vez, permitiu ao Reino Unido detectar a outra variante em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Acredita-se que todas essas variantes sejam mais transmiss\u00edveis do que a original, mas n\u00e3o se sabe, por enquanto, se mais letais. De todo modo, tende a haver mais mortes porque h\u00e1 muito mais casos.<\/p>\n<p>Oliveira acrescenta que suas mais recentes descobertas tamb\u00e9m levantam &#8220;uma grande quest\u00e3o&#8221; sobre a efic\u00e1cia das vacinas.<\/p>\n<p>&#8220;Se os resultados do laborat\u00f3rio mostram que essa variante \u00e9 menos neutralizada pelos anticorpos, isso ter\u00e1 algum efeito na efic\u00e1cia das vacinas?&#8221;, questiona Oliveira.<\/p>\n<p>&#8220;No momento, presumimos que a efic\u00e1cia das vacinas n\u00e3o ser\u00e1 comprometida. E se for, ser\u00e1 pouco (comprometida). Porque as vacinas desencadeiam uma resposta imunol\u00f3gica alta, produzindo muitos anticorpos, por exemplo. Mas ainda \u00e9 uma quest\u00e3o a ser respondida&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Ele refor\u00e7a que esses primeiros resultados n\u00e3o podem servir de &#8220;desculpa&#8221; para interromper os programas de vacina\u00e7\u00e3o em todo o mundo.<\/p>\n<p>&#8220;Esse v\u00edrus nos mostrou que se deixarmos ele circular livremente por muito tempo, se adaptar\u00e1 melhor \u00e0 transmiss\u00e3o e, potencialmente, escapar de ser neutralizado pelo sistema imunol\u00f3gico&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Temos que aumentar com urg\u00eancia as taxas de vacina\u00e7\u00e3o e a resposta da sa\u00fade p\u00fablica para que possamos controlar as taxas de infec\u00e7\u00e3o o mais r\u00e1pido poss\u00edvel e reduzir as taxas de mortalidade por essas variantes altamente infecciosas&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p><strong>&#8216;V\u00edrus vivo&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias, v\u00e1rios estudos indicaram que muta\u00e7\u00f5es &#8220;escapariam&#8221; da a\u00e7\u00e3o de anticorpos neutralizantes produzidos pelo corpo contra o SARS-CoV-2.<\/p>\n<p>No entanto, Oliveira e sua equipe foram al\u00e9m e usaram o &#8220;v\u00edrus vivo&#8221; pela primeira vez em testes de laborat\u00f3rio em oposi\u00e7\u00e3o ao chamado pseudov\u00edrus \u2014 uma &#8220;t\u00e9cnica mais avan\u00e7ada&#8221;, explica Oliveira, usando todas as muta\u00e7\u00f5es inclu\u00eddas no v\u00edrus, e, ent\u00e3o, fizeram compara\u00e7\u00f5es usando a variante anterior da covid-19.<\/p>\n<p>&#8220;Os resultados mostram que mais de 50% do plasma convalescente (com anticorpos) exposto ao v\u00edrus n\u00e3o obteve neutraliza\u00e7\u00e3o. E os outros 50% obtiveram neutraliza\u00e7\u00e3o de baixo n\u00edvel. Quase metade dos indiv\u00edduos com quase nenhuma neutraliza\u00e7\u00e3o parecia nunca ter visto o v\u00edrus antes&#8221;, explica Oliveira.<\/p>\n<p>&#8220;O melhor modelo para testar isso \u00e9 com o v\u00edrus vivo, voc\u00ea pega o v\u00edrus inteiro, voc\u00ea infecta as c\u00e9lulas e faz crescer no laborat\u00f3rio, \u00e9 uma t\u00e9cnica mais avan\u00e7ada e depois voc\u00ea o re-exp\u00f5e ao plasma convalescente, ent\u00e3o voc\u00ea considera o taxa de crescimento do v\u00edrus e como ele \u00e9 neutralizado&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Conclu\u00edmos que houve uma neutraliza\u00e7\u00e3o do v\u00edrus muito menor, t\u00e3o menor que, em tese, s\u00e3o necess\u00e1rios cerca de 10 a 15 vezes mais anticorpos para neutralizar o mesmo v\u00edrus em compara\u00e7\u00e3o com a variante anterior&#8221;, acrescenta Oliveira.<\/p>\n<p>Segundo ele, &#8220;n\u00e3o s\u00e3o boas not\u00edcias. Esper\u00e1vamos que aqueles que j\u00e1 tiveram a covid-19 n\u00e3o fossem infectados novamente. Isso abre as portas para o v\u00edrus com essas muta\u00e7\u00f5es reinfectar as pessoas. \u00c9 uma das principais quest\u00f5es a serem respondidas nas pr\u00f3ximas semanas&#8221;.<\/p>\n<p>Oliveira assinala que mais estudos s\u00e3o necess\u00e1rios para determinar o impacto disso em nossa imunidade, pois nossa resposta imunol\u00f3gica n\u00e3o depende apenas dos anticorpos, mas tamb\u00e9m das chamadas c\u00e9lulas T, que atuam em conjunto com eles.<\/p>\n<p>Jesse Bloom, professor-associado de Ci\u00eancias do Genoma e Microbiologia da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, concorda.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 definitivamente claro que as muta\u00e7\u00f5es no RBD (dom\u00ednio de liga\u00e7\u00e3o ao receptor), especialmente a muta\u00e7\u00e3o E484K encontrada na linhagem 501Y.V2, reduzem a neutraliza\u00e7\u00e3o do anticorpo. No entanto, atualmente n\u00e3o est\u00e1 claro o quanto essa neutraliza\u00e7\u00e3o reduzida diminui a efic\u00e1cia protetora da imunidade&#8221;, diz ele por e-mail \u00e0 BBC News Brasil. O RBD \u00e9 uma pequena por\u00e7\u00e3o da prote\u00edna S do SARS-CoV-2, chave para a liga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus \u00e0s c\u00e9lulas humanas e sua infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cientistas acreditam que essa &#8220;neutraliza\u00e7\u00e3o reduzida&#8221; pode ser uma das raz\u00f5es pelas quais algumas partes da \u00c1frica do Sul e da cidade de Manaus, no Amazonas, muito atingidas durante o primeiro pico da pandemia, foram de novo amplamente afetadas pela segunda onda \u2014 levantando d\u00favidas sobre a chamada &#8220;imunidade de rebanho&#8221; que alguns especialistas j\u00e1 haviam dito ter sido alcan\u00e7ada nessas \u00e1reas por meio de infec\u00e7\u00f5es em massa.<\/p>\n<p>A imunidade de rebanho ocorre quando uma parcela grande o suficiente da popula\u00e7\u00e3o desenvolve uma defesa imunol\u00f3gica contra um pat\u00f3geno. Nesse cen\u00e1rio, a doen\u00e7a n\u00e3o consegue se espalhar porque a maioria das pessoas \u00e9 imune e ela passa a ter grande dificuldade para encontrar algu\u00e9m suscet\u00edvel. Esse patamar \u00e9 atingido pela vacina\u00e7\u00e3o em massa, e n\u00e3o por infec\u00e7\u00f5es em massa.<\/p>\n<p>&#8220;Naturalmente, seria de se esperar que essas regi\u00f5es n\u00e3o fossem muito afetadas pela segunda onda da pandemia, e n\u00e3o \u00e9 o que vimos&#8221;, diz Oliveira.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda temos que investigar se essa nova variante menos neutralizada por anticorpos em laborat\u00f3rio causar\u00e1 maiores taxas de infec\u00e7\u00e3o&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>&#8220;O objetivo da vacina n\u00e3o \u00e9 parar a transmiss\u00e3o; \u00e9 fazer com que as pessoas que s\u00e3o infectadas n\u00e3o desenvolvam sintomas muito s\u00e9rios. O principal objetivo \u00e9 salvar vidas. E n\u00e3o s\u00f3 a vacina, mas a resposta da sa\u00fade p\u00fablica, de testagem e rastreamento e isolamento e medidas de distanciamento social para tentar diminuir o n\u00famero de infectados&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Foto: EPA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais estudos s\u00e3o necess\u00e1rios para mensurar impacto de neutraliza\u00e7\u00e3o reduzida por anticorpos em nossa imunidade, diz Tulio de Oliveira &nbsp; Por BBC &nbsp; Um novo estudo<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":29974,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-29973","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29973","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=29973"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29973\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=29973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=29973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abmdf.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=29973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}